Fake News

Jornalismo é mais importante que nunca, diz professora canadiana


 

Lusa/Ao online   Nacional   9 de Mar de 2019, 13:15

A professora Marsha Barber, da Escola de Jornalismo da Universidade de Ryerson, em Toronto, afirmou que, hoje em dia, o jornalismo “é mais importante do que nunca”, numa época de notícias falsificadas, ‘fake news’.

"O jornalismo hoje é mais importante do que nunca. A verificação dos factos é uma pedra fundamental para o jornalismo tradicional, que é cada vez mais importante. A qualidade jornalística habitual, como a isenção e equidade, torna-se muito mais importante numa era dominada por ‘fake news’", afirmou a docente, em entrevista à agência Lusa.

A publicação de artigos falsos em vários sites, propagados pelas redes sociais, reforça o “papel importante e com futuro” do jornalismo tradicional.

A antiga produtora do canal público canadiano (CBC) considerou ainda que tem havido alguma confusão sobre o que são notícias falsas, que supostamente "podem magoar" ou "induzir em erro".

"Cabe-nos a nós, académicos e investigadores, tentar resolver essa questão", sublinhou.

Marsha Barber destacou, por outro lado, que, para combater as notícias falsas, "a educação do público é muito importante".

"Precisamos de literacia dos órgãos de comunicação social nas escolas, nas universidades e nos colégios de formação profissional. Precisamos que as pessoas saibam que a comunidade social tradicional, na sua maioria, desempenha um excelente trabalho, quer na verificação dos factos e não tenta induzir as pessoas a erros de forma. Essa consciencialização tem de estar lá fora junto do público", declarou.

O desafio "é enorme" com a partilha de artigos nas redes sociais. Mas, perante pessoas com um nível de formação profissional elevado, o jornalismo "tem um alto grau de confiança do público", explicou Marsha Barber.

"Nós, como jornalistas, só temos de continuar a praticar bom jornalismo, respeitando a equidade e a isenção, a verificação das fontes e tendo a certeza de que as ‘fake news’ não tenham a hipótese de se espalhar", destacou.

Questionada pela Lusa se o público "cai na armadilha das notícias falsas" por preguiça na confirmação dos factos ou pelo reforço de valores pessoais, Marsha Barber salientou que é por ambos os motivos.

As pessoas "partilham as ‘fake news’, sejam elas uma conspiração ou uma teoria", explicou, considerando que esta “preguiça”, que conduz à "não verificação dos factos", deve terminar.

"Nós, enquanto consumidores de notícias, temos de ter muito cuidado e verificar a origem da notícia. De onde vem, se é alguém nas redes sociais, porque hoje em dia qualquer pessoa pode autodenominar-se jornalista. Temos de verificar os sites de comunicação social tradicionais", disse.

Um dos sites de ‘desinformação' com mais impacto em Portugal, intitulado 'Vamos Lá Portugal', tem a sua sede localizada em Montreal, no este do Canadá, num edifício de 11 andares, onde estão localizadas várias empresas.

A Lusa esteve no local e tentou contactar os responsáveis, que não se mostraram recetivos a prestar declarações.



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