Grande parte do futebol de formação na ilha de São Miguel vai continuar parado e, aparentemente, sem data prevista para o seu regresso. Em causa, o elevado custo com a contratação de Assistentes de Recinto Desportivo (ADR) privados, verbas que tem sido suportadas, na sua grande maioria, pela Associação de Futebol de Ponta Delgada (AFPD).
No passado fim de semana as competições nos escalões de juniores (Sub-19), juvenis (Sub-17) e iniciados (Sub-15) tinham sido suspensas e, quando tudo apontava que os jogos viriam a ser retomados, nova suspensão foi determinada pela AFPD.
A “suspensão total e por tempo indeterminado” foi tomada após nova reunião entre a direção da AFPD com os clubes, realizada na noite de terça-feira, “medida decidida por unanimidade”, adianta um comunicado daquele organismo “e que tem como objetivo a salvaguarda da segurança dos jogos”, acrescenta a nota enviada às redações.
“Esta decisão surge no âmbito das preocupações relacionadas com a segurança nos recintos desportivos, tendo como principal objetivo a salvaguarda da integridade física detodos os intervenientes, nomeadamente atletas, equipas técnicas, árbitros, dirigentes e público em geral”, acrescentou o organismo numa nota difundida na sua página oficial na rede social Facebook.
Depois de na temporada passada os agentes da Polícia de Segurança Pública terem manifestado indisponibilidade para continuar a prestar o serviço de policiamento aos jogos na ilha de São Miguel, a AFPD e os clubes recorreram à segurança privada, o que onerou os custos relacionados com a organização dos jogos.
O organismo presidido por Robert Câmara manteve vários encontros com os responsáveis das forças de segurança pública, mas até ao momento não foi possível desbloquear a situação.
A AFPD tem assumido os encargos com a segurança privada, mas os custos elevados têm vindo a debilitar as finanças do organismo, isto depois de na temporada passada ter desembolsado mais de 50 mil euros para este fim. Isto sucede, também, porque os clubes não dispõem de capacidade financeira para assumir o encargo com a segurança privada.
O presidente da AFPD, como derradeira tentativa de desbloquear a situação, vai tentar junto do presidente do Governo Regional dos Açores uma solução, numa reunião que deverá ocorrer muito breve.
Até lá, às centenas de jovens atletas de futebol na ilha de São Miguel, entre os 14 e os 19 anos, resta-lhes treinar à espera do o próximo jogo que continua a não ter data para se realizar!
