Irão: Teerão exige fim da guerra na região e desbloqueio de bens iranianos

O Irão exigiu na resposta às propostas norte-americanas o fim da guerra em toda a região, incluindo no Líbano, e o desbloqueio dos bens iranianos congelados, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.



“A única coisa que exigimos foram os direitos legítimos do Irão”, declarou o porta-voz do ministério, Esmail Baghai, durante a conferência de imprensa semanal em Teerão, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A declaração da diplomacia iraniana segue-se à posição do Presidente norte-americano, Donald Trump, que considerou como “totalmente inaceitável” a resposta de Teerão para acabar a guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

O Irão reivindica “o fim da guerra na região”, o levantamento do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos e “a libertação dos bens pertencentes ao povo iraniano, que estão injustamente bloqueados há anos”, disse Baghai.

O porta-voz da diplomacia iraniana precisou que a resposta de Teerão inclui também “a passagem segura no estreito de Ormuz e a garantia de segurança na região e no Líbano”.

Trata-se de uma “oferta generosa” para a estabilidade regional, considerou Baghai, citado pela emissora pública IRIB, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

Baghai lamentou que os “Estados Unidos continuem a insistir numa postura tendenciosa”.

Afirmou que o Irão “não reclamou qualquer concessão” a Washington, focando-se apenas no fim da guerra e da “pirataria marítima contra navios iranianos”.

O porta-voz advertiu que “qualquer intervenção nos assuntos relativos ao estreito de Ormuz apenas complicará a situação”.

Baghai escusou-se a comentar a possibilidade de a Rússia aceitar as reservas de urânio iranianas para facilitar um acordo.

“Neste momento, estamos centrados em pôr fim à guerra. Discutiremos mais tarde qualquer decisão relativa ao programa nuclear e ao seu material, quando chegar o momento”, afirmou.

As declarações de Baqhai surgem após Trump ter indicado, através das redes sociais, que não tinha gostado nada da proposta iraniana.

Os Estados Unidos e o Irão encontram-se num processo de diálogo mediado pelo Paquistão.

As divergências têm impedido a realização de uma segunda reunião em Islamabad, que acolheu o primeiro encontro direto após o cessar-fogo de 08 de abril.

O bloqueio ao estreito de Ormuz e a apreensão de navios iranianos por forças norte-americanas têm sido os motivos invocados por Teerão para não comparecer em Islamabad, por considerar que tais ações violam o cessar-fogo.

Apesar disso, ambos os países mantêm contactos através da mediação paquistanesa.

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