Inventariação dos bens da Diocese representa "uma revolução cultural"


 

Lusa/AO Online   Nacional   3 de Nov de 2009, 17:51

O padre Manuel Amorim defendeu no Porto, que a inventariação dos bens culturais da Diocese do Porto vai funcionar como “uma verdadeira revolução cultural.

"A melhor apólice de seguro para o património é o reconhecimento do seu valor por parte da generalidade da população. Isto representa uma autêntica revolução cultural em cada paróquia", afirmou o sacerdote, responsável pela Secretaria do Património Cultural da Diocese do Porto, que está à frente da vasta equipa que está a realizar a inventariação.

Por isso, a Diocese criou em cada paróquia uma comissão de voluntários que está a participar na inventariação, apoiando um técnico responsável.

"Estes núcleos, que em cada paróquia ficam a conhecer o acervo local dos bens patrimoniais religiosos, não se extinguirão com o fim da inventariação, porque, ao adquirirem essa consciência, ficam automaticamente implicados na respectiva defesa e conservação. Há, pois, que aproveitar isso", frisou.

Após a inventariação em curso, estes núcleos dão lugar às Equipas de Património, que terão a incumbência de velar pelos bens culturais e organizar a melhor forma de os colocar ao serviço da comunidade, nomeadamente criando núcleos museológicos ou organizando exposições temáticas, isoladamente ou em conjunto com outras paróquias.

Manuel Amorim explicou que esta metodologia de envolvimento das pessoas na inventariação em curso teve precisamente como objectivo "a sensibilização das populações para os bens patrimoniais de forma que elas passem a actuar como os seus primeiros guardiães".

"Podemos guardar os tesouros num cofre e eles ficam bem protegidos durante décadas ou séculos, mas, se o fizermos, estamos a retirá-lo da memória do povo e isso é a mesma coisa que se ele não existisse", afirmou.

Para o sacerdote, a exibição dos bens culturais da Igreja “favorece o contacto do povo com os bens culturais educa a sua sensibilidade, enriquece-o e leva-o a ter mais cuidado não só com os bens culturais, mas também com o ambiente que o rodeia".

A Diocese do Porto já manifestou abertura para incluir o seu património de arte sacra nos roteiros de turismo cultural.

O padre Manuel Amorim frisou, a propósito, que, para efeitos de integração num circuito turístico, "de nada serve ter uma linda igreja se ela estiver rodeada de prédios feios, de uma urbanização desordenada, com lixo nas valetas".

Quanto aos riscos inerentes à exibição, nomeadamente a possibilidade de roubo, o sacerdote considera que "essa não é a maior ameaça que impende sobre os bens patrimoniais da Igreja, mas sim o abandono e as intervenções descuidadas".

"Se formos a ver - e temos experiência disso porque estamos a fazer o inventário do património - verificaremos que a maior parte do que desapareceu se deve ao abandono e às intervenções desastradas, muitas vezes devido à ignorância, que levaram os bens à ruína".


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