Presidenciais

Abstenção nas presidenciais cresce de forma contínua

Tendência de abstenção crescente nas presidenciais repete-se de forma acentuada nos Açores, consolidando a região como uma das menos participativas do país. O fenómeno acompanha o padrão nacional de declínio da mobilização eleitoral



A participação dos açorianos nas eleições presidenciais tem vindo a diminuir ao longo das últimas décadas, posicionando a Região Autónoma dos Açores como uma das zonas do país com menor afluência às urnas em sufrágios nacionais.

De acordo com dados históricos, a trajetória de abstenção entre 1976 e 2021 mostra uma tendência de crescimento persistente, que apenas conheceu pequenas quebras pontuais.

Nos primeiros anos da democracia, os Açores registaram os níveis mais baixos de abstenção. Em 1976, apenas 32,19% dos eleitores faltaram às urnas, valor que desceu para 25,91% em 1980, o mínimo histórico no período analisado.

A partir de 1986, iniciou-se um ciclo de aumento da abstenção que até agora não foi revertido. Nesse ano, 38,50% dos eleitores abstiveram-se na primeira volta e 36,09% na segunda. Em 1991, o valor aproximou-se dos 50%, atingindo 48,21%, e manteve-se estável em 1996, com 49,19%.

Já neste século, o afastamento das urnas tornou-se mais evidente. Em 2001, a abstenção subiu para 62,84%, num contexto de recandidatura presidencial. Em 2006 registou-se uma descida para 56,92%, mas a tendência voltou a subir nas eleições seguintes: 68,75% em 2011 e 69,08% em 2016, os valores mais elevados de sempre.

No último ato eleitoral, em 2021, marcado pela pandemia de Covid-19, a taxa de abstenção fixou-se em 63,93%, confirmando a persistência de um fenómeno que há décadas afasta a maioria dos açorianos das urnas.

Também na globalidade do país, as eleições presidenciais apresentam um padrão de participação volátil e em declínio persistente ao longo das últimas décadas.

De acordo como estudo “Abstenção Eleitoral em Portugal - Mecanismos, Impactos e Soluções” realizado por João Cancela e José Santana Pereira para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, este fenómeno é influenciado por fatores institucionais, pela competitividade percebida e por características sociodemográficas específicas dos eleitores.

O estudo mostra que após níveis elevados de mobilização nos primeiros três escrutínios presidenciais da democracia, observa-se, a partir dos anos 90, um ciclo prolongado de diminuição da afluência às urnas. Mas também que historicamente, atos eleitorais sem um presidente em funções a recandidatar-se (como 1986, 1996 ou 2006) registam maiores níveis de participação.

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O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) nos Açores alertou para o “abandono silencioso” da PSP na região, sublinhando o “défice crónico” de efetivos e a “gritante disparidade de prioridades políticas na gestão da segurança pública em Portugal”