Inspectores do SEF investigados negam recebimento de favores sexuais


 

Lusa / AO online   Nacional   25 de Set de 2007, 18:20

Os dois inspectores detidos dia 12 pelo SEF/Porto suspeitos de legalizarem imigrantes de forma irregular negam ter recebido quaisquer favores sexuais, disse hoje à Lusa o seu advogado.
O jurista Vítor Lima Ferreira adiantou que "na inquirição feita em Tribunal não lhes foi apontado qualquer facto atinente ao recebimento de favores sexuais por parte de prostitutas brasileiras".

Os dois inspectores, ouvidos pelo Tribunal de Instrução do Porto, são suspeitos da prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal (permanência), falsificação de documentos, corrupção passiva para acto ilícito, abuso de poder e lenocínio.

Uma outra fonte judicial disse à Lusa que os dois inspectores vão voltar a ser interrogados, a seu pedido, para esclarecerem factos constantes do inquérito.

Aquele jurista salientou ainda que a presente investigação - conduzida pelo SEF/Porto - nada tem a ver com o processo que envolve uma advogada de Barcelos e três inspectores do SEF e que se encontra à espera de marcação de julgamento.

A investigação aos dois inspectores, iniciada e conduzida pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do Porto, culminou na detenção, dia 12, dos dois funcionários do Serviço, em cumprimento de mandados emitidos pelo MP do DIAP/Porto.

No âmbito do mesmo inquérito foi igualmente detida uma cidadã estrangeira, com ligações aos dois funcionários, indiciada pela prática do crime de auxílio à imigração ilegal com intuito lucrativo.

A operação envolveu buscas domiciliárias à casa dos arguidos, onde foi recolhido material que, alegadamente, ajuda a consolidar os indícios da prática dos crimes.

Segundo fonte oficial do SEF, os detidos terão praticado os crimes no exercício de funções, no período entre 2004 e Maio 2006, mês a partir do qual deixaram de se encontrar em exercício efectivo de funções.

O inquérito baseia-se numa investigação que envolveu sete meses de escutas telefónicas e outros procedimentos policiais entre os quais o seguimento dos arguidos.

Os investigadores suspeitam de que os três arguidos prolongavam vistos de turistas a cidadãs brasileiras, apesar de saberem que, na realidade, se dedicavam ao alterne e à prostituição em casas do ramo no Porto.

São ainda suspeitos de avisarem os donos das casas de alterne, que frequentavam e onde alegadamente "bebiam de borla", das rusgas policiais que iriam ser feitas pelo SEF.

A cidadã brasileira - também arguida no processo - é suspeita de convidar os arguidos para conhecerem as brasileiras em apartamentos, nomeadamente quando chegavam do Brasil.

Os dois inspectores visados na investigação têm vindo a dizer, em entrevistas à SIC e à RTP que não praticaram os crimes que lhe são imputados, dizendo-se "alvo de perseguição por terem sido sindicalistas".

Aos dois funcionários do SEF foi aplicada pelo Tribunal de Instrução a medida de suspensão de funções até à conclusão de um inquérito.
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