Incidente entre Chávez e rei de Espanha continua a agitar os venezuelanos


 

Lusa/AO   Internacional   13 de Nov de 2007, 07:39

O "incidente" entre o Presidente Hugo Chávez e o rei Juan Carlos I de Espanha, durante a 17ª Cimeira Ibero-Americana provocou diversos tipos de reacções entre os venezuelanos.
Os opositores aconselham Hugo Chávez a calar-se e a resolver os problemas internos do país, enquanto os seus simpatizantes criticam a "explosão" do rei de Espanha e elogiam o modo como o Chefe de Estado classificou o ex-primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar.

    As primeiras reacções vieram do Partido Social Cristão (Copei), que recomendou ao presidente que obedeça ao rei Juan Carlos I, combatendo a insegurança e solucionando o problema da falta de produtos como o leite, feijão e óleo no país.

    "Perguntamos: Porque não te calas e ouves o povo? Faz caso do rei Juan Carlos!", indicou um porta-voz do partido.

    Por seu lado, o presidente de Acção Democrática (AD), Víctor Bolívar, defendeu o incidente prova que "Hugo Chávez deixou de ser um problema para a Venezuela e converteu-se num problema para o Mundo".

    “Ao encontrar-se com uma pessoa que efectivamente tem estatura e hierarquia igual que ele, não teve outro remédio senão calar-se por momentos", disse Víctor Bolívar, questionando os argumentos do Chefe de Estado, o qual afirma que não ouviu o rei Juan Carlos I.

    "Todos ouvimos o rei de Espanha e o único que não ouviu foi o presidente venezuelano", disse.

    Sublinhou ainda que a oposição venezuelana tem advertido os presidentes e governantes de outros países sobre "o pouco perfil democrático que tem o presidente Chávez".

    Para o partido Primeiro Justiça "a confrontação” teve como propósito "desviar a atenção" da gravidade das alterações que o presidente venezuelano pretende introduzir na Constituição venezuelana.

    De acordo com o Primeiro Justiça, o "incidente" surgiu porque Chávez está a “procurar, de forma permanente, um inimigo externo, mas o governo dos Estados Unidos tem estado calado com o tema da reforma".

    "O presidente Hugo Chávez além de estar a dividir os venezuelanos está também a dividir a comunidade internacional", refere o partido.

    Também o Comando Nacional da Resistência, o partido da oposição mais radical criticou segunda-feira o presidente venezuelano pelo incidente ocorrido na cimeira.

    Membros do partido deslocaram-se à sede da Embaixada de Espanha em Caracas para pedir às autoridades espanholas que promovam no Parlamento Europeu um debate sobre a "crise democrática" que no seu entender afecta a Venezuela.

    As palavras de Hugo Chávez também causaram mal-estar na comunidade espanhola radicada na Venezuela que realizou, na noite de segunda-feira, uma concentração de apoio ao rei Juan Carlos I, na Praça Altamira de Caracas.

    Mas em Caracas também se ouviram críticas dos simpatizantes de Hugo Chávez à "explosão" do rei Juan Carlos I, com membros do governo como o ministro de Cultura, Francisco Sesto, a classificar como "insólito" que "um Chefe de Estado que não foi eleito pelo seu povo mande calar um presidente que ocupa o seu cargo graças ao voto".

    "Isto deveria estar no programa (radiofónico venezuelano) +O Nosso Insólito Universo+", disse.

    Para o presidente da Comissão de Política Exterior da Assembleia Nacional, Saúl Ortega, a transcendência do "incómodo episódio" depende da diplomacia espanhola.

    Ortega lamentou que "se peça respeito por Aznar" quando o ex-governante espanhol desrespeita o presidente e critica o governo venezuelano.

    Durante a Cimeira Ibero-americana, que decorreu em Santiago do Chile, o presidente Hugo Chávez, apoiado pelo homólogo nicaraguense, Daniel Ortega, e pelo secretário executivo do Conselho de Ministros de Cuba, Carlos Lage, referiu-se várias vezes ao ex-chefe do governo espanhol José Maria Aznar como "fascista", acusando-o de apoiar o golpe de Estado que, em Abril de 2002, afastou temporariamente Chávez do poder.

    Sábado, o presidente venezuelano tentou responder ao actual primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, quando este pediu a Chávez para respeitar Aznar.

    Face aos ataques de Chávez, o rei Juan Carlos I de Espanha disse ao Presidente venezuelano para "se calar".
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