Em carta aberta, o Conselho Médico da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos considera que o incêndio ocorrido no Hospital do Divino Espírito (HDES) “constituiu um dos acontecimentos mais marcantes e traumáticos da história recente da saúde nos Açores”.
O encerramento súbito do “principal hospital da Região Autónoma colocou à prova profissionais, instituições e toda a comunidade açoriana, exigindo uma resposta rápida, resiliente e profundamente dedicada à manutenção da assistência aos doentes”.
O organismo representativo dos médicos considera que “a reabilitação do HDES não pode, nem deve, ser encarada como uma mera reparação estrutural do edifício existente”.
“O momento que atravessamos representa uma oportunidade histórica para dotar os Açores de uma infraestrutura hospitalar moderna, segura, resiliente e preparada para responder às exigências atuais e futuras da medicina”, defende a Ordem dos Médicos.
De acordo com o Conselho Médico, o projeto de reabilitação apresentado “procura precisamente cumprir esse objetivo de recuperar a capacidade assistencial perdida, corrigir fragilidades estruturais previamente existentes, atualizar o hospital de acordo com as normas técnicas contemporâneas e ampliar áreas críticas indispensáveis ao funcionamento de uma instituição hospitalar diferenciada do século XXI”.
Para os médicos dos Açores, “modernizar e ampliar infraestruturas hospitalares não constitui um luxo, nem um exercício político”, mas sim “uma obrigação técnica, ética e de segurança para com os doentes e para com os profissionais que diariamente ali trabalham”.
O Conselho Médico refere que vê “com preocupação a crescente disseminação pública de interpretações incompletas, distorcidas ou politicamente instrumentalizadas relativamente ao projeto de reabilitação do HDES”.
“O debate público é legítimo e desejável numa sociedade democrática. Contudo, quando esse debate assenta em desinformação, simplificação técnica ou rivalidades territoriais, corre-se o risco de fragilizar um processo que deveria unir a região em torno de um interesse comum: garantir cuidados de saúde seguros e de qualidade para todos os açorianos”, defende aquele organismo.
A Ordem refere que a saúde “não pode ser reduzida a disputas político-partidárias ou a lógicas de competição interilhas".
Para os médicos, “defender a reabilitação qualificada do HDES não significa diminuir qualquer outra unidade de saúde da região, mas reconhecer a realidade assistencial existente, a diferenciação técnica necessária e a responsabilidade de garantir respostas adequadas à população açoriana”.
