O Hospital Divino Espírito Santo (HDES) deu mais um passo na modernização dos cuidados de saúde nos Açores com a implementação da plataforma Brainomix 360, uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) concebida para acelerar o diagnóstico e o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Segundo a nota de imprensa do HDES, a nova tecnologia, integrada na Unidade de AVC e no Serviço de Imagiologia, permite o processamento automático de exames de Tomografia Computorizada (TC), identificando em poucos segundos sinais precoces de isquemia cerebral e grandes oclusões vasculares, situações que podem ser de difícil deteção numa fase inicial.
Segundo a responsável pela Unidade Cérebro Vascular do HDES, Raquel Senra, o AVC constitui uma emergência médica que pode resultar em incapacidade grave ou mesmo na morte.
“Como ‘tempo é cérebro’, é fundamental que façamos o diagnóstico o mais precocemente possível e, desta forma, administrar o melhor tratamento mais rapidamente. A Inteligência Artificial irá possibilitar que, de forma quase imediata, possamos identificar sinais precoces de isquemia cerebral e de oclusão de vaso intracraniano e desta forma possibilitar a sua rápida abordagem”, sublinhou.
A médica recorda que os Açores ainda não dispõem de trombectomia mecânica, procedimento realizado maioritariamente na Madeira, para onde são encaminhados os doentes que necessitam desta intervenção. Em 2025, o HDES evacuou cerca de 30 doentes para este tratamento, prevendo igualmente um aumento este ano com implementação da técnica.
Com a IA, a partilha de imagens médicas “acontecerá praticamente em tempo real”, permitindo agilizar o processo de evacuação e a tomada de decisões clínicas.
Outra das mais-valias da plataforma é a possibilidade de os médicos especialistas acederem às imagens processadas através de uma aplicação móvel segura, independentemente da sua localização, facilitando a comunicação imediata entre equipas e decisões rápidas sobre tratamentos como a trombólise ou a transferência para trombectomia.
Esta tecnologia contribui ainda para reduzir o denominado tempo “porta-agulha”, melhora a consistência diagnóstica e diminui a variabilidade entre observadores, aumentando significativamente as probabilidades de recuperação funcional dos doentes e reduzindo o risco de sequelas graves.
“Ao automatizar a análise de TCs e permitir a partilha de dados em tempo real, o Hospital de Ponta Delgada garante agora uma cobertura tecnológica abrangente, assegurando aos açorianos cuidados de vanguarda no combate a uma das principais causas de mortalidade e incapacidade em Portugal”, conclui a nota.
