Açores com taxa de cobertura de médico de família de 92% em março

O Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) disse que a taxa de cobertura de médico de família na região atingiu os 92% em março deste ano, sendo este considerado o valor “mais elevado de sempre”.



“Apesar de ter sido registado um aumento dos utentes inscritos de 261.784 em 2024 para 263.309 em 2025, a taxa de cobertura de médico de família conseguiu registar um aumento”, referiu a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social numa nota enviada à agência Lusa.

Segundo o executivo, a evolução da atividade assistencial e dos principais indicadores dos cuidados de saúde primários nos últimos anos “tem demonstrado um reforço sustentado da capacidade de resposta do Serviço Regional de Saúde [SRS], refletido no aumento da cobertura de médicos de família, na maior utilização dos serviços de saúde e no reforço dos recursos humanos”.

Em 2025 realizaram-se 644.568 consultas de Medicina Geral e Familiar, “um acréscimo de cerca de 10% face a 2021, quando se registaram 588 574 consultas”.

Nas Unidades Básicas de Urgência foram efetuadas 161.956 consultas médicas, o que representa um aumento de 118% relativamente a 2021, ano em que foram realizadas 74.182 consultas.

A tutela da Saúde nos Açores, liderada por Mónica Seidi, também revelou que a taxa global de utilização de consultas médicas nos cuidados de saúde primários tem registado uma evolução positiva, “situando-se nos 86% em 2025”.

“A percentagem de utentes com médico de família atribuído que tiveram pelo menos uma consulta com o seu médico nos últimos três anos aumentou de 74%, em 2024, para 77%, em 2025”, lê-se.

A posição do executivo açoriano surge um dia após os deputados do Chega/Açores terem apresentado um requerimento no parlamento regional a exigir ao Governo "dados concretos" sobre a cobertura de médicos de família.

Segundo o partido, apesar dos anúncios e das sucessivas declarações do Governo Regional sobre "alegadas melhorias na cobertura de médicos de família na região", continuam a existir "relatos de açorianos que enfrentam dificuldades para conseguir consultas, atrasos no acompanhamento médico e falta de resposta em várias ilhas".

No comunicado, a Secretaria Regional da Saúde esclarece que a referência ao número de utentes que não realizaram uma consulta de Medicina Geral e Familiar durante o último ano “não pode ser interpretada como sinónimo de ausência de médico de família ou de falta de acesso aos cuidados de saúde”.

“A não realização de consulta num determinado período pode resultar de diferentes fatores, designadamente da inexistência de necessidade clínica, da utilização de outras respostas assistenciais do SRS ou do acompanhamento noutros níveis de cuidados”, disse.

Também os indicadores de vigilância em saúde infantil “apresentam melhorias”, verificando-se um aumento da proporção de crianças com pelo menos seis consultas médicas no primeiro ano de vida, de 58% para 64%, entre 2024 e 2025.

O reforço dos recursos humanos tem sido igualmente uma prioridade, salientando que, desde 2019, o SRS integrou mais 131 médicos e mais 250 enfermeiros, estando ainda prevista, durante este ano, a contratação de mais 20 médicos para os Cuidados de Saúde Primários.

A tutela conclui referindo que os dados disponíveis demonstram uma evolução positiva da resposta do SRS, traduzida em “melhores níveis de cobertura de médico de família, maior atividade assistencial e um reforço efetivo do acesso da população aos cuidados de saúde primários”.

No requerimento, o Chega/Açores exige "dados concretos sobre a situação dos médicos de família em toda a região", indicando que dados divulgados recentemente "dão conta que cerca de 25% dos açorianos não tiveram qualquer consulta de Medicina Geral e Familiar durante o último ano".

Os deputados pretendem saber informações sobre o número de utentes sem médico de família em cada ilha do arquipélago e o número de clínicos "efetivamente em funções".

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