Hugo Chavez volta a pedir provas de vida de reféns das FARC


 

Lusa/AO   Internacional   23 de Nov de 2007, 05:23

O presidente venezuelano, Hugo Chavez, voltou a pedir quinta-feira às FARC que façam prova de vida dos reféns, apesar do seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, ter decidido interromper a mediação para uma troca humanitária de reféns por guerrilheiros.

Manuel “Marulanda (líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), continuo à espera das provas, mande-mas (...) pelo menos para torná-las públicas, porque alguns têm dúvidas e exigem-nas”, disse.

    O presidente venezuelano lamentou que o seu homólogo colombiano Álvaro Uribe tenha decidido “unilateralmente” interromper a sua mediação.

    “Lamento em primeiro lugar pelos prisioneiros, mas também pela Colômbia, porque esse caminho que estávamos a projectar e que se estava a abrir podia ter sido o caminho para um acordo de paz", disse Hugo Chavez, perante milhares de simpatizantes, num comício pelo "sim" à reforma da constituição venezuelana, que se realizou no Teatro Teresa Carreño de Caracas.

    "Ratifico o meu amor à Colômbia e continuo às ordens para mediar a troca humanitária", sublinhou.

    “Havia uma expectativa positiva. Falámos com familiares dos reféns e depois, por uma razão que não me parece ser uma razão, (Álvaro) Uribe decidiu de forma unilateral, sem um telefonema, sem nos consultar, suspender o trabalho que eu estava a fazer", prosseguiu Chavez.

    O presidente venezuelano indicou ainda que "há coisas que não podem parar”, sublinhando estar à espera “que as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) me façam chegar as provas de vida dos prisioneiros”.

    O chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, anunciou quarta-feira que dava "por terminada" a mediação da senadora (colombiana) Piedad Córdoba e do presidente Hugo Chavez, agradecendo-lhes a ajuda prestada.

    A decisão surgiu depois de Bogotá saber que Hugo Chavez contactou telefonicamente o comandante do Exército colombiano, o general Mário Montoya, a quem questionou sobre os sequestrados.

    Álvaro Uribe não gostou que o seu homólogo venezuelano tenha entrado em contacto directo com o alto comando institucional colombiano.

    A 20 de Agosto, Hugo Chavez pediu ao seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, e ao líder das FARC, Manuel Marulanda, para "aceitarem" a sua mediação para um "acordo humanitário".

    As FARC são uma organização guerrilheira colombiana que surgiu em 1964, de ideologia comunista, marxista-leninista e que tem entre 12.000 a 17.500 membros.

    Mantém em cativeiro, desde 13 Fevereiro de 2003, o luso-americano Marc Gonçalves, que foi sequestrado depois do avião em que seguia com mais quatro pessoas se ter despenhado.

    Marc Gonçalves cumpria uma missão de vigilância do cultivo de droga na selva colombiana de Caquetá e estava ao serviço de uma companhia privada contratada pelo governo norte-americano.

    Os destroços do avião foram cercados por guerrilheiros das FARC, que executaram os tripulantes Thomas Janis e Luis Alcides Cruz, levando como reféns Marc Gonçalves, Keith Stansell e Thomas Howes.

    A 8 de Novembro, o secretário das FARC, Iván Márquez, garantiu, em Caracas, à saída de uma reunião com o presidente Hugo Chávez e com a senadora colombiana Piedad Córdoba, no palácio presidencial de Miraflores, que aquela organização entregaria ao presidente venezuelano uma "prova" de que Marc Gonçalves está vivo.

    O acordo humanitário permitiria trocar 45 reféns por 500 guerrilheiros detidos pelas autoridades colombianas.

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