O relatório, divulgado pelo jornal Beijing News, analisa a evolução do perfil dos estudantes, dos destinos escolhidos e dos critérios de decisão, apontando para uma crescente diversificação e uma abordagem mais “pragmática” por parte das famílias.
O Reino Unido mantém-se como principal destino pelo sétimo ano consecutivo, enquanto a subida de Hong Kong – região administrativa especial chinesa com sistema de ensino distinto do da China continental – é atribuída à qualidade do ensino superior, à proximidade geográfica e a políticas de atração de talento.
Em contrapartida, a descida dos Estados Unidos coincide com o agravamento das relações bilaterais, com tensões políticas, comerciais e tecnológicas a refletirem-se também no setor educativo.
Há cerca de um ano, Washington endureceu a sua posição em relação aos estudantes chineses, com maior escrutínio na concessão de vistos, restrições em áreas consideradas sensíveis e acusações de ligações ao Partido Comunista Chinês, medidas que Pequim considera “discriminatórias” e uma “politização da cooperação na área do ensino”.
Neste contexto, os fatores económicos ganharam peso: as propinas tornaram-se o segundo critério mais relevante na escolha do destino, apenas atrás do prestígio das instituições, enquanto bolsas de estudo e perspetivas de emprego assumem maior importância.
Segundo a New Oriental, o orçamento médio das famílias ultrapassa os 600 mil yuan (cerca de 71 mil euros).
O perfil dos estudantes também está a mudar: 77% da procura concentra-se no ensino superior, com destaque para cursos de licenciatura, e as engenharias continuam a liderar as preferências, seguidas pela economia.
Mais de metade dos candidatos opta por candidatar-se a vários países para reduzir riscos associados a mudanças nas políticas de ensino.
Apesar destas alterações, o objetivo final mantém-se: 88% dos estudantes planeiam regressar à China após concluírem a formação.
Desde que a República Popular da China enviou o primeiro grupo de estudantes para os Estados Unidos, em 1979, o país norte-americano tem sido um dos destinos mais prestigiados para alunos chineses.
No ano letivo 2023/2024, os 277.398 estudantes chineses matriculados representaram 24,6% do total de 1,12 milhões de alunos internacionais nos Estados Unidos.
