HHY & The Macumbas trazem espetáculo "particular e contextual" à ilha de São Miguel

HHY & The Macumbas trazem espetáculo "particular e contextual" à ilha de São Miguel

 

Lusa/AO Online   Cultura e Social   22 de Mar de 2019, 08:30

Os HHY & The Macumbas trazem esta sexta-feira, ao Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, um espetáculo “altamente particular e contextual” em que se misturam o free jazz, dub e jungle, numa 'performance' experimental.

O grupo editou em setembro de 2018 o seu segundo álbum de estúdio, “Beheaded Totem”, mas, para o espetáculo de sexta-feira, que acontece na 'blackbox' do Arquipélago, na Ribeira Grande, trazem “algumas coisas novas e algumas coisas que vêm do disco, mas que são transformadas ao vivo para serem completamente diferentes, altamente particular e contextual”, adiantou o líder do grupo, Jonathan Uliel Saldanha.

“Normalmente, fazemos ao contrário, os discos para nós servem o fim de um ciclo e não o início de um novo”, explicou à agência Lusa.

Num trabalho que parte dos metais e das percussões, inspirado nas bandas de música que marcham por Nova Orleães, ou nas “fanfarras que tocam numa procissão de um santo”, num qualquer ponto de Portugal, interessa-lhes “um forte impacto rítmico”, mas também “a liquidez com que o ritmo se move”.

“Acho que, aí, há uma correlação mais direta entre a banda mais polirrítmica, que me interessa, mas também esta coisa de música repetitiva, mas que vai oscilando com a dimensão humana, com o cansaço, e com essa violência de tocar durante longas horas. As duas coisas são altamente ressonantes”, afirmou o artista.

Os HHY & The Macumbas, ao longo de uma década de existência, já conheceram várias formações e, neste momento, a Jonathan Uliel Saldanha juntam-se João Pais Filipe, Brendan Hemsworth, Filipe Silva e Frankão na percussão, e André Rocha e Álvaro Almeida nos metais.

Todos os membros desenvolvem, paralelamente, outros projetos, mas o músico garante que o ensemble HHY & The Macumbas assume um papel “influente, porque tem, em si, um caráter metódico vincado, que acaba por condicionar tudo aquilo que cada um pode fazer dentro do projeto”.

“Tem a ver com o facto de o idioma [dos HHY & The Macumbas] ser tão claro e tão forte que, de alguma forma, dita a forma de cada um de nós se relacionar com o material sonoro e essa relação é muito objetiva e muito clara… Acaba por ser essa relação que importa uma série de jeitos e de regras”, considerou Uliel Saldanha.

O artista explicou que “por mais dinâmico, complexo ou virtuoso que possa ser cada um dos músicos, o facto de tocar neste ensemble vai sempre deformar esse virtuosismo com uma espécie de contorno de caráter que tem a ver com o projeto. Nunca há grande espaço para solos ou para grande destaque pessoal”.

Os HYY & The Macumbas surgiram em 2008, num “contexto do Porto muito particular, que era pautado por uma série de dificuldades e foi desse contexto que se criou este projeto, com uma série de discussões a partir dele”, que foi “essencial no início, mas agora há qualquer coisa de mais transversal que interessa” ao grupo, que fala de uma “emancipação” da cena portuense.

Atuam na blackbox do Arquipélago, pelas 21:30, num espetáculo que se insere no ciclo performativo Geometria Sónica, que tem a curadoria do festival Tremor.

A série de espetáculos acontece em paralelo com o ciclo expositivo, que pode ser visitado até 21 de abril, em que Jonathan Uliel Saldanha expõe o resultado da parceria com a dupla Francisco Queimadela e Mariana Caló. Na mostra exibe-se também a instalação de Pedro Tropa e Ricardo Jacinto.

Sobre a relação entre o trabalho exposto e o que será apresentado pelos HHY & The Macumbas, o artista considera que, na exposição “há uma série de colunas que tocam uma série de ritmos que, se calhar, se podem associar”, mas prefere “não fazer uma dramaturgia de ligações de pontos, e deixar as coisas avançarem paralelamente, e deixar que as pessoas façam as suas próprias conexões e as suas próprias elaborações”.

Jonathan Uliel Saldanha é um construtor sonoro e cénico, que já expôs no Palais de Tokyo, em Paris, e na Casa de Serralves, no Porto, entre outros. Fundou a plataforma de arte SOOPA e é cofundador da editora discográfica SILORUMOR, tendo participado, a solo ou em diferentes formações, das quais se destacam os HHY & The Macumbas.

Com a formação HHY & The Macumbas editou “Throat Permission Cut”, em 2014, e “Beheaded Totem”, em 2018, tendo feito digressões internacionais que os levaram às principais capitais europeias e atuado em festivais como Sónar, Primavera Sound, Amplifest, Milhões de Festa e Neopop.


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