"Estão agora em boas mãos. Estávamos muito preocupados. Se ficassem mais tempo no barco a situação poderia ser difícil", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após a conclusão, na ilha de Tenerife, nas Canárias, da operação de desembarque e repatriamento de 125 pessoas que estavam no cruzeiro "MV Hondius".
Tedros Adhanom Ghebreyesus deu como exemplo o caso de uma passageira francesa, que foi repatriada no domingo e está em estado crítico, depois de ter tido sintomas da doença durante o voo para Paris.
Um teste feito à chegada a França confirmou que está infetada com hantavírus.
"Está numa situação muito crítica. Imaginem se tivesse ficado mais tempo no barco. O repatriamento foi a coisa certa. Tripulantes e passageiros estão a ter agora o apoio e assistência necessários", acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus, que falava numa a jornalistas no porto de Granadilla, Tenerife, ao lado da ministra espanhola da Saúde, Mónica García.
O diretor-geral da OMS voltou a apelar a todos os países para colocarem as pessoas que estavam no barco em quarentena, durante 42 dias, o tempo de incubação máximo do hantavírus.
"Acredito que os países farão tudo para proteger os seus cidadãos", afirmou, sublinhando que a quarentena pode ser feita em casa.
Tedros Adhanom Ghebreyesus apelou também à solidariedade, compaixão e empatia com as pessoas que estiveram no cruzeiro "MV Hondius", durante uma viagem em que foram confirmados várias infeções com hantavírus e em que morreram três passageiros, dois deles a bordo do navio.
Passaram por uma situação de grande stress, sobretudo depois de o barco ter estado de quarentena em Cabo Verde, onde foram retiradas pessoas com sintomas de doença, e na viagem até às Canárias, onde o navio ancorou no domingo.
Tedros Adhanom Ghebreyesus elogiu o comandante do navio, que disse ser "um líder incrível", e garantiu apoio aos 25 tripulantes (que considerou uma "tripulação corajosa") que seguem no "MV Hondius", para o levar até Roderdão, nos Países Baixos, o país de bandeira do cruzeiro e do armador.
O navio zarpou hoje às 19:00 (mesma hora em Lisboa) de Tenerife e a bordo seguiram também um médico e uma enfermeira da OMS.
A operação nas Canárias envolveu mais de 20 países, a OMS e a União Europeia.
Foram confirmados até agora, pela OMS e pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) sete casos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no cruzeiro "MV Hondius", que saiu do sul da Argentina no início de abril. Três pessoas morreram.
Existem ainda outros casos suspeitos ou prováveis, incluindo o de um norte-americano repatriado no domingo desde Tenerife que os EUA classificaram como "positivo fraco", enquanto a OMS e o ECDC o classificam como não conclusivo.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.
Os sintomas da infeção são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares.
A OMS garantiu que o risco deste surto para a população em geral é baixo.
