Futuro incerto nos quadros da “Açoreana”

Futuro incerto nos quadros da “Açoreana”

 

Rui Leite Melo   Regional   11 de Dez de 2008, 10:06

Pelo menos catorze dos cerca de 130 funcionários da seguradora “Açoreana” a trabalhar na Região já terão sido convidados pela administração da empresa a rescindirem por mútuo acordo o contrato de trabalho.
No total nacional, e de acordo com os números recolhidos pelo Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora (STAS), no processo de redução do quadro de pessoal da “Açoreana” em curso são até à data 44 os visados, de entre um total de cerca de 600 trabalhadores. Mas tendo apenas como certo  o encerramento de seis sucursais da empresa, o sindicato admite que este é um processo que está longe de estar encerrado.
Isto mesmo foi expresso ontem num plenário de trabalhadores realizado em Ponta Delgada destinado a analisar a situação. O encontro foi presidido por José Luís Pais, da Direcção Nacional do STAS, que não escondeu uma grande preocupação quanto à situação em curso, tendo a propósito tecido duras críticas aos responsáveis pela seguradora e, mais que isso, antevendo que o  processo de “despedimentos”, está longe de estar fechado. Como então salientou José Luís Pais, o sindicato dispõe de poucas ou nenhumas informações sobre o processo: “para nossa surpresa, junto da Administração da empresa não conseguimos saber o número de trabalhadores contemplados nesta fase, nem sequer se esta acção tem algum limite em termos de timing, mas pelo que sabemos, projecta-se que no início do próximo ano continue a haver  esta acção”, afirmou. A falta de diálogo entre os representantes dos trabalhadores e a empresa é, de resto, uma crítica constante nas afirmações daquele representante sindical.
Quanto às contrapartidas oferecidas pela empresa aos trabalhadores para a rescisão por mútuo acordo, são também motivo de crítica. Conforme o representante do STAS, estas “não são sujeitas a negociação e tanto quanto sabemos, normalmente em termos percentuais, aquilo que a empresa propõe  ronda o mês e meio por cada ano de trabalho. Pelo que sabemos, o que a Açoreana está a propor é cerca de 1.2  por cada ano de trabalho e anotámos com desagrado essa oferta”. Questionado sobre as alternativas existentes para um trabalhador que venha a recusar essa oferta, o sindicalista repetiu aquilo que lhe foi dito pelos administradores da Açoreana com quem reuniu no passado dia 5: “se não for por esta via, será por outra”. Em causa estará uma eventual extinção de cargos.
Admitindo a limitação de possibilidade de intervenção em todo o processo, José Luís Pais garante que  “aquilo que o Sindicato pode fazer é dar todo o apoio possível ao associado e estar  disponível para acompanhá-lo na decisão que venha a tomar”. Deixa um alerta: “uma das informações que conseguimos obter é que esta empresa passa a estar muito direccionada para a mediação. Talvez esse venha a ser uma das grandes intenções do mercado segurador, o recurso à mediação, isto de acordo com o nosso entendimento, porque em termos de encargos serão muito mais reduzidos, se continuasse com o mesmo número de trabalhadores.
Dos 44 processos de rescisão por mútuo acordo que o STAS tem conhecimento, nenhum deles estará concluído, isto é, nenhum terá resultado na desvinculação do trabalhador com a empresa, até porque “os convites continuam a ser feitos”, acrescentou o representante sindical.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.