Açoriano Oriental
Fundo privado dos EUA financia investigação sobre doença rara na Universidade de Coimbra

Um fundo privado norte-americano vai continuar a financiar a investigação sobre a doença de Machado-Joseph, em curso na Universidade de Coimbra (UC), atribuindo cerca de 85 mil euros nos próximos cinco anos, segundo um protocolo hoje assinado.


Fundo privado dos EUA financia investigação sobre doença rara na Universidade de Coimbra

Autor: Lusa/AO online

O acordo estabelece que o fundo de investigação, batizado com os nomes dos mecenas norte-americanos de ascendência chinesa Richard Chin e LiLy Lock, irá financiar com 20 mil dólares anuais (cerca de 17 mil euros), o trabalho desenvolvido por um grupo de cerca de 20 investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, liderados pelo docente da faculdade de Farmácia Luís Pereira de Almeida.

Na sessão hoje realizada, Luís Pereira de Almeida afirmou que o objetivo dos investigadores é "encontrar a cura" para a doença de Machado-Joseph - uma neuropatologia rara, de origem genética, hereditária, incurável e fatal, que se caracteriza, entre outros sintomas, pela progressiva perda de controlo muscular e coordenação motora, perturbação da visão, dificuldades na fala e em engolir - e que em Portugal tem uma prevalência maior nos Açores.

A colaboração entre Richard Chin - um engenheiro eletrotécnico e de computadores, especialista e inventor de microprocessadores que sofria da Machado-Joseph e faleceu em outubro - a sua mulher LiLy Lock e o investigador da Universidade de Coimbra remonta a 2010, quando Luís Pereira de Almeida deu uma conferência nos EUA sobre a doença e o trabalho desenvolvido em Coimbra e foi contactado pelos norte-americanos que se disponibilizaram a financiar a investigação, por um primeiro período de cinco anos, agora renovado.

"A nossa equipa trabalha muito, todos os dias, na busca da cura da doença de Machado-Joseph e esperamos poder demonstrar ser merecedores da confiança que está depositada em nós", disse hoje Luís Pereira de Almeida, perante LiLy Lock e o reitor da Universidade de Coimbra João Gabriel Silva.

Em declarações à Lusa, Luís Pereira de Almeida disse que o apoio do fundo privado "tem permitido não só financiar reagentes, como também a participação em congressos e atribuição de bolsas a estudantes e investigadores", entre outras ações.

"Tem sido muito importante, até porque não tem os constrangimentos que normalmente estão associados aos financiamentos formais e estatais, que estão processos muito burocráticos", afirmou.

Sobre a doença de Machado-Joseph, o investigador explicou que tem uma prevalência "baixa", com dois a três casos por 100 mil habitantes.

No entanto, sendo uma doença genética hereditária, que é passada para a descendência, ao ocorrer "numa população mais fechada e isolada, mantém-se e até aumenta se as pessoas tiverem uma fertilidade superior à de outras famílias", o que poderá explicar a prevalência em algumas regiões do país, como os Açores, frisou Luís Pereira de Almeida.

Na sessão de hoje João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, destacou o financiamento privado à investigação em curso na instituição, alegando que embora seja usual acontecer nos EUA e em parte do Reino Unido, é "raro" no resto da Europa.

"Aqui, na nossa cultura, as pessoas pensam que essa é uma função do Estado, o que só aumenta a nossa responsabilidade", afirmou o reitor.

Após a assinatura do acordo, a Universidade de Coimbra homenageou os mecenas Richard Chin e Lily Rock, atribuindo o seu nome a um laboratório do Centro de Neurociências e Biologia Celular.


 
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