Arquipélago recebe domingo o espetáculo “O Mestre”

Maria João Falcão, atriz, criadora e diretora artística da número cinco



O Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande, recebe domingo, pelas 18h00, o espetáculo “O Mestre”, que conta com criação e interpretação de Maria João Falcão e de Michel. Numa produção da plataforma número cinco, “O Mestre” conta com coreografia e música original de Michel e o apoio de diversas entidades culturais nacionais.

Que tema aborda o espetáculo ‘O Mestre’?

‘O Mestre’ é um espetáculo que aborda a relação entre Mestre-Aluna. Aborda o processo de passagem de conhecimento e o lugar de cada uma das partes envolvidas: aquele que ensina e aquela que aprende. 

O espetáculo é uma criação da Maria João Falcão e do Michel. Conta também com a interpretação de ambos. Como é que surgiu a ideia de levar a cabo este trabalho?

Este projeto surgiu durante o meu mestrado de Theater Practices na ArtEZ, nos Países Baixos. Quando comecei a pôr em causa todos os cursos e workshops que andava a fazer e a questionar porque é que quando não tenho trabalho vou estudar, em vez de criar e produzir o meu próprio trabalho.

Desta forma, surgiu de uma necessidade de tornar-me autora do meu trabalho. Além disso, quando pensei neste projeto, queria também falar dos artistas de outra geração, bem como homenagear um professor de teatro que tive e que considero o meu mestre: o Philippe Gaulier. Depois, estava na altura a ter aulas de sapateado com o Michel e achei que fazia sentido convidá-lo para assumir o papel de Mestre.

Como é que é partilhar o palco com o Michel?

É ótimo. O Michel foi muito generoso desde o início. Aceitou logo o convite e foi muito disponível ao longo de todo o projeto. O Michel é um artista que admiro e de quem gosto muito. E, na minha opinião, fez um trabalho surpreendente e muito bom.

Como estão a decorrer os ensaios para o espetáculo?

Este espetáculo estreou na Ler Devagar - LX Factory, em novembro de 2021 (graças à generosidade de José Pinho). Foi um processo em que pesquisei durante três meses e os ensaios com o Michel decorreram ao longo de quatro meses. Foi um tempo longo mas necessário para criar um projeto de raiz e acho que estamos muito contentes com o resultado. Este tempo fez com que nos apropriássemos do espetáculo e sempre que o voltamos a fazer é muito bom.

Como surgiu o convite para apresentar este espetáculo na ilha de São Miguel?

Como produtora do espetáculo, de tempos a tempos envio emails a diversos programadores. Tenho que confessar que a quantidade dos programadores que responde é muito reduzida.
O Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas respondeu sempre e finalmente conseguimos uma data para apresentar o espetáculo.

Quais são as vossas expectativas para a estreia da peça em São Miguel?

Estou muito feliz por apresentar ‘O Mestre’ no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas. Sigo a sua programação há muito tempo. Acredito imenso no que o Arquipélago representa: um centro de artes que valoriza os processos, abre espaço para a experimentação e criação artísticas. O que é nos dias de hoje, infelizmente, uma raridade. Pela minha experiência, a equipa é fantástica e de uma grande dedicação.

Por outro lado, tenho, finalmente, a oportunidade de visitar este centro e a sorte de poder ver ainda as exposições ‘Espaços Transitórios’, que celebra uma década de existência do Arquipélago, e ‘’Cavalo Pendurado no Teto, Do Avesso’’, de Rodrigo Costa, que ainda está patente.

De alguma forma, o espetáculo tem uma mensagem a transmitir ao público?

O Eugene Ionesco numa entrevista à Paris Review cita Nabokov e diz que um autor não deve ter que entregar uma mensagem porque não é um carteiro. Afirmação com que concordo profundamente.

O que acredito é que um espetáculo é um organismo muito complexo, com várias camadas e inúmeras leituras possíveis. Portanto, só há uma solução: vir ver...






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