França e UE pedem libertação imediata de Ingrid Betancourt

A refém franco-colombiana Ingrid Betancourt está muito doente, segundo outros reféns libertados quarta-feira pelas FARC, o que deixou preocupado o governo francês e o alto representante da UE para a política externa, que pediram a sua libertação imediata.


Dois dos quatro reféns libertados quarta-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) deram informações alarmantes sobre o estado de saúde da ex-candidata presidencial, afirmando que ela "está muito mal" e é "maltratada pela guerrilha".
Segundo o ex-marido de Betancourt, Fabrice Delloye, ela sofre de uma hepatite B crónica.
A notícia desencadeou reacções de indignação e de apelos à sua imediata libertação, desde as autoridades francesas, que fizeram da sua libertação uma prioridade, e de responsáveis da União Europeia.
"Apelo às FARC para que libertem, sem demora Ingrid Betancourt, é uma questão de vida ou de morte, é uma urgência humanitária", disse hoje o presidente francês, Nicolas Sarkozy, à margem de uma visita oficial à África do Sul.
Sarkozy apelou ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que "utilize toda a sua influência para salvar a vida" de Betancourt e disse: "Estou disposto a ir, eu próprio, à procura de Ingrid Betancourt na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, se essa for a condição".
O primeiro-ministro francês, François Fillon, fez pouco antes declarações no mesmo tom.
"É preciso que todos compreendam, e particularmente as FARC, que haverá uma condenação do mundo inteiro se eles não libertarem Ingrid Betancourt no mais breve prazo", declarou o primeiro-ministro francês, François Fillon.
"Esta mulher está doente, já o sabíamos há vários meses. (Mas agora) há testemunhos extremamente precisos, é uma questão, sem dúvida, de semanas ", acrescentou.
O alto representante para a Política Externa da União Europeia, Javier Solana, saudou a libertação dos quatro reféns e disse esperar que ela leve "à libertação imediata e incondicional do resto dos reféns, incluindo Ingrid Betancourt".
A comissária europeia para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, considerou por seu lado a libertação dos quatro reféns "um passo de esperança" e manifestou o seu "total apoio e solidariedade" às autoridades colombianas na sua tentativa de encontrar uma solução "negociada, pacífica e duradoura".
A filha de Ingrid, Mélanie Delloye, disse hoje estar "extremamente angustiada" pelo estado de saúde da mãe.
"É extremamente preocupante e sabemos que o tempo escasseia. A mamã está viva, mas não sei por quanto tempo, sei que é preciso tirarmo-la de lá o mais rapidamente possível", disse Mélanie.
As FARC fizeram saber, depois da libertação dos quatro reféns, que novas libertações só poderão ocorrer depois de uma retirada militar do "seu" território.
A guerrilha, que combate as autoridades colombianas desde 1964, pretende trocar quatro dezenas de reféns políticos, entre os quais três norte-americanos - um deles o luso-americano Marc Gonsalves - e a ex-candidata presidencial, por 500 guerrilheiros presos.
Os quatro reféns libertados quarta-feira integram um grupo de seis - dois dos quais libertados anteriormente - que as FARC deixaram partir como gesto de boa-vontade - sem contrapartida - em agradecimento das diligências efectuadas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na mediação daquele acordo.
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