França e Alemanha aceleram negociações para formar ‘núcleo duro’ dentro do euro

França e Alemanha aceleram negociações para formar ‘núcleo duro’ dentro do euro

 

Lusa/AO Online   Economia   10 de Nov de 2011, 07:27

Altos funcionários e especialistas dos Governos francês e alemão estão a estudar e a negociar com os parceiros do Benelux (Holanda, Bélgica e Luxemburgo) a criação de um "núcleo duro" dentro da UE, segundo o jornal El País.

Citando "fontes conhecedores das conversações", o jornal espanhol refere que se trata de uma estratégia que pode levar a alterações ao Tratado de Lisboa para formalizar uma "Europa a duas velocidades".

Nos contactos iniciais já se analisaram aspetos fiscais como a harmonização dos principais impostos e a criação de um ministério comum responsável por estes temas.

Outras fontes citadas pelo jornal referem que neste núcleo duro do euro estariam nove países, entre os quais Espanha, que "nas últimas semanas ganhou notável credibilidade e se distanciou claramente de Itália".

"Paris e Berlim consideram que só devem partilhar a moeda única os países capazes de manter controlada a disciplina fiscal", refere o jornal.

Segundo o El País o "impulsor" deste movimento é o presidente francês Nicolas Sarkozy, que tem eleições em 2012 e que está "preocupado em não perder a qualificação de AAA da dívida soberana" francesa.

Nas últimas semanas Sarkozy tem, por várias vezes, feito referência à questão da Europa a duas velocidades, considerando que ter a zona euro a avançar mais depressa e de forma mais integrada que a UE a 27 é "o único modelo possível" para o futuro.

A iniciativa franco-alemã está, segundo o jornal a provocar "uma irritação lógica no presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que vê como a Comissão vai perdendo relevância enquanto ganha força o eixo Merkel-Sarkozy".

Também o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy se expressou já claramente contra qualquer divisão da zona euro.

A Comissão Europeia deverá apresentar ainda este mês um novo pacote de medidas, entre as quais para aprofundar a vigilância orçamental, permitindo que a Comissão e o Conselho analisam os orçamentos nacionais e expressem uma opinião sobre eles antes da sua adoção pelo parlamento nacional.


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