Saúde

Farmácias podem administrar vacinas a partir de Outubro

Farmácias podem administrar vacinas a partir de Outubro

 

Luís Pedro Silva   Regional   2 de Set de 2008, 11:24

Os farmacêuticos dos Açores vão poder vender e ministrar vacinas a partir do próximo mês, mas primeiro é necessário frequentar uma acção de formação em Portugal Continental. A Ordem dos Enfermeiros critica a medida e garante que apenas os enfermeiros podem administrar vacinas
A partir de Outubro os farmacêuticos podem vender e administrar aos seus clientes  vacinas que não estão incluídas no plano nacional de vacinação, segundo uma portaria publicada pelo Ministério da Saúde em Novembro de 2007.
A medida permite que um utente de uma farmácia possa adquirir e pedir a aplicação de uma vacina no mesmo local, sem necessidade de se deslocar a um Centro de Saúde.
No entanto a medida não deverá chegar aos Açores em Outubro, devido à falta de formação na Região para os farmacêuticos.
Aires Raposo, delegado regional da Associação Nacional das Farmácias (ANF), refere existir “alguma carência de formação”, porque os primeiros cursos destinados aos técnicos de farmácia decorrem em Lisboa, Porto e Coimbra.
“Como são muito os técnicos de farmácias não se consegue dar uma resposta cabal de um dia para o outro”, explica o represente da ANF.
Aires Raposo refere que existem farmácias com vontade de aplicar vacinas, mas conta que o início deste novo serviço “não vai acontecer de forma uniforme e vai depender da velocidade com que cada uma das farmácias realize a formação adequada”.
A aplicação desta norma deverá “apresentar uma maior aplicação em meios rurais”, porque estão distantes de Centros de Saúde.
Mas, essencialmente, será a “solicitação apresentada pela população” que deverá ser decisiva para os farmacêuticos apresentarem este novo serviço.
A grande limitação à aplicação de vacinas é o facto de ser necessário recorrer a formação no exterior e criar uma sala isolada dentro das farmácias.

Enfermeiros devem aplicar vacinas
A representante regional da Ordem dos Enfermeiros, Margarida Rego Pereira, considera que esta medida é “mais cómoda para as pessoas”, mas defende que “os enfermeiros têm competência exclusiva para administração de vacinas”, referindo que as farmácias devem contratar enfermeiros para aplicar esta nova indicação do Ministério da Saúde.
Margarida Rego Pereira sugere que sejam contratados enfermeiros para ministrar as vacinas em farmácias.
Aires Raposo, delegado da ANF, considera que caso os farmacêuticos tenham “a formação adequada naturalmente que têm competências para administrar vacinas”, mas evita alimentar polémicas com a ordem dos enfermeiros e garante que as farmácias vão “actuar dentro do quadro jurídico em vigor”, referiu.
A necessidade de controlar a segurança na administração de uma vacina é apontado como a principal necessidade para a contratação de enfermeiros para as farmácias.
“Cada profissional deve desempenhar as funções das suas competências”, afirma Margarida Rego Pereira, fazendo uma separação de funções entre  venda  e administração de vacinas.
A representante da Ordem dos Enfermeiros acrescenta que as farmácias podem rentabilizar os enfermeiros contratados para “efectuarem educação para a saúde, na área dos diabetes e colesterol”, sendo que no futuro as farmácias vão prestar serviços de apoio domiciliário, administração de primeiros socorros e a utilização de meios auxiliares de diagnóstico.
A responsável pela Ordem dos Enfermeiros sublinha que a profissão “não precisa de nenhum escoamento caso as instituições de saúde admitissem os enfermeiros que precisam, porque ainda faltam muitos enfermeiros nas instituições”,  explicando que existem vagas em aberto em centros de saúde e hospitais.



Vacina da gripe será primeiro teste
A vacina da gripe é a mais vendida em Portugal, sendo ministrada durante os meses de Setembro e Outubro, podendo servir de teste para as farmácias que iniciarem o processo de aplicação de vacinas.
A estimativa em Portugal aponta para a venda de dois milhões de vacinas da gripe, este ano, que representa 99 por cento da taxa de mercado de gripes.
Também podem ser adquiridas e ministradas as vacinas contra as hepatites A e B, vacina contra a meningite,  retrovírus, ou ainda as destinadas a viajantes, como a da febre amarela ou da cólera.
Também é possível a aplicação de vacinas que reforcem o sistema imunitário, indicadas para várias situações, desde alergias, infecções respiratórias e ou da flora intestinal, entre outras.

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