Familiares de Litvinenko assinalam aniversário da morte


 

Lusa / AO online   Internacional   21 de Nov de 2007, 17:22

O primeiro aniversário da morte do dissidente russo Alexander Litvinenko deverá ser assinalado na sexta-feira pela viúva, Marina, o pai, Walter, e o empresário exilado, Boris Berezovski, em frente ao hospital londrino onde morreu.

Os três, acompanhados do amigo e ex-porta-voz, Alex Goldfarb, deverão reunir-se para ler um comunicado póstumo de Litvinenko em frente ao hospital University College, onde esteve internado, e depois dar uma conferência de imprensa, avançou a agência France Presse.

O comunicado, ditado no leito da morte pelo próprio Litvinenko, que qualificou os responsáveis pela sua morte como "barbaramente cruéis" e denunciou o envolvimento do presidente russo Vladimir Putin.

"Os protestos da comunidade internacional vão fazer nos seus ouvidos, senhor Putin, para o resto da sua vida", terá dito na altura Litvinenko, de acordo com amigos que se encontravam com ele.

Litvinenko morreu aos 43 anos após mais de uma semana de hospitalização, durante a qual o seu estado piorou rapidamente sem que os médicos o conseguissem impedir, vítima de envenenamento com polónio 210, ums substância rara e mortal.

A Justiça britânica identificou Andrei Lugovoi, um ex-elemento do KGB (tal como Litvinenko) como principal suspeito, sendo objecto de um pedido de extradição à Rússia, onde se encontra. 

Lugovoi foi um dos homens que se encontrou com Litvinenko num hotel londrino onde a vítima bebeu o chá envenenado com o polónio, como se confirmou mais tarde pelos indícios de radioactividade que esta substância deixou.

Os investigadores encontraram também um rasto de radioactividade nos locais por onde Lugovoi passou durante a sua visita à capital britânica, pelo que as autoridades britânicas emitiram um pedido de extradição para julgar no Reino Unido.

Todavia, a Justiça russa rejeitou o pedido, alegando que a Constituição impede que cidadãos russos sejam extraditados para serem julgados no estrangeiro, desencadeando um braço-de-ferro diplomático entre os dois governos.

Tanto Lugovoi, que continua em liberdade em Moscovo e é actualmente candidato a um lugar no parlamento russo por um partido de extrema-direira, como Putin, negaram qualquer intervenção no homicídio.

A viúva do dissidente russo Alexander Litvinenko, Marina Litvnenko, assina em co-autoria com Alex Goldarf, um livro onde o presidente russo, Vladimir Putin é responsabilizado pelo crime.

Intitulado "Morte de um Dissidente: o envenenamento de Alexander Litvinenko e o regresso do KGB", o livro defende a teoria de que o ex-espião russo for assassinado pelo FSB (agência que substituiu o KGB) com o consentimento de Putin.

O livro, inicialmente editado em Nova Iorque e já traduzido em 16 línguas, é o principal instrumento da campanha que a viúva encetou para levar os responsáveis pela morte de Litvinenko a tribunal.

A Fundação "Justiça para Litvinenko" foi criada no início do ano por Berezovky, Goldfarb e Marina Litvinenko, de 44 anos, que continua a residir em Londres com o filho, Anatoly, de 12 anos.

Crítico do regime russo, a quem acusou de lhe ter pedido para assassinar o dissidente Boris Berezovsky, Alexander Litvinenko instalou-se no Reino Unido em 2000 como asilado político, tendo obtido mais tarde a nacionalidade britânica.

Empresário refugiado no Reino Unido há vários anos, Boris Berezovsky é um dos principais opositores no estrangeiro de Putin, que sugeriu que aquele fosse responsável pela morte de Litvinenko para lançar as culpas sobre si.


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