Familia Sebastião a caminho dos Açores

Familia Sebastião a caminho dos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   30 de Dez de 2011, 06:48

A família Sebastião, com dez membros, foi alvo de deportação do Canadá na noite de quinta feira rumo aos Açores, não conseguindo evitar o repatriamento, apesar de várias diligências de última hora.

Foi uma noite de nervosismo e de ansiedade até que o voo da SATA descolou para Ponta Delgada, levando a bordo os dez membros da família Sebastião, mais o marido da filha mais velha, Marília.

Apesar do anúncio de partida do Airbus da SATA às 21:50 hora local de quinta-feira (02:50 de hoje em Lisboa), a aeronave da SATA permaneceu imobilizada mais tempo na placa para que o pessoal de terra proceder ao descongelamento da neve acumulada no avião.

O voo SATA International tem destino ao Porto, via Ponta Delgada, aonde chegará 7h20 de hoje, sexta-feira.

Em rigor, do total de dez elementos da família originária dos Açores apenas seis - os pais (Paulo e Maria Irene, de 46 e 44 anos respetivamente) e quatro filhos (Marília, 27, Vanessa, 23, Paulo Júnior, 19, e Beatriz, 13) são deportados.

Os restantes quatro, os netos, todos com menos de cinco anos são cidadãos canadianos por terem nascido país, mas acompanham os país, segundo determinaram os Serviços de Imigração, embora possam voltar a todo o momento ao Canadá.

Até ao derradeiro minuto, mesmo quando já tinham embarcado, todos aguardavam uma decisão de Otava que permitisse à família descer do avião, o que não aconteceu.

Horas antes da partida, o advogado Tony Dutra recebeu uma resposta do gabinete do Primeiro-Ministro do Canadá relativamente ao pedido urgente em que solicitava a suspensão da ordem de deportação a fim da situação da família poder ser reavaliada.

"Apesar de o Primeiro Ministro compreender as circunstâncias que o motivam a escrever, há restrições ao envolvimento de membros do Governo - incluindo o Primeiro Ministro - em casos como o que acaba de descrever", justificou a Tony Dutra um responsável do gabinete de Stpehen Harper, num "email" a que a Lusa teve acesso.

"Estas limitações existem com vista a assegurar a todos os candidatos que a decisão num processo de imigração e refúgio é independente e livre e interferência política", acrescentou, adiantando ter enviado o correio eletrónico para o ministro da Imigração.

Por seu turno, uma adjunta do ministro federal da Segurança Pública, Vic Toews, em Otava, solicitou a Tony Dutra dados sobre a decisão de deportação referente à família, pedindo-lhe ainda que efetuasse novo pedido de suspensão daquela ordem, o que fez. Mas não teve mais contatos.

Também, na quinta-feira, em Otava, uma responsável do ministério da Cidadania Imigração do Canadá - pasta que tutela o processo de imigração -, confirmou à Lusa a receção da carta enviada pelo Governo português, em que solicitava um "ato de clemência" para a família portuguesa.

"Essa missiva do Governo português [dirigida ao ministro Kenney] foi recebida ontem e uma resposta será enviada no curto prazo" declarou à Lusa, Nancy Caron, do gabinete do titular da pasta da Imigração.

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, revelou quarta-feira à Lusa ter enviado duas cartas na segunda-feira, aos ministros da Cidadania e Imigração e da Segurança Pública (administração interna) do Canadá, nas quais o Executivo português pedia um "ato de clemência" para a família.

O Governo Regional dos Açores intercedeu igualmente junto do Executivo de Harper a favor da família Sebastião e já lhe garantiu acolhimento, disponibilizando casas arrendadas e apoio social para a integração da família.


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