Excesso de peso infantil nos Açores supera a média nacional

Excesso de peso infantil nos Açores supera a média nacional

 

Lusa/Miguel Bettencourt Mota   Regional   20 de Dez de 2017, 12:35

Em 2016, as regiões que apresentaram uma prevalência de excesso de peso infantil acima da apresentada a nível nacional no COSI Portugal (30,7%) foram as regiões Norte (33,9%), a Madeira (31,6%) e os Açores (31%).

Mas, em face dos resultados globais, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas considerou hoje “claramente positiva” a redução do excesso de peso das crianças entre os 6 e os 8 anos, apesar de ter também sublinhado que a melhoria é insuficiente, porque 30,7% continuam com quilos a mais.

“Desde 2008 até à atualidade temos uma redução de 7,2% da prevalência de excesso de peso das crianças entre os 6 e os 8 anos, o que é claramente positivo e podemos dizer que estamos na direção certa, mas os resultados ainda são insuficientes porque de facto temos 30,7% das crianças com peso a mais”, disse Alexandra Bento à agência Lusa.

Alexandra Bento comentava desta forma os resultados do sistema de vigilância que analisa o estado nutricional infantil (COSI), que registou em 2016 uma diminuição nos três indicadores: obesidade, excesso de peso e baixo peso.

Os resultados do COSI 2016, que avaliou 6.745 crianças das 230 escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico, indicam que 30,7% tinham excesso de peso (31,6% em 2013), 11,7% eram obesas (13,9% em 2013) e 0,9% tinham baixo peso (2,7% em 2013).

Para a bastonária, estes resultados apontam que se está “na direção certa”, na redução da prevalência do excesso de peso e da obesidade.

Contudo, “ainda são insuficientes, o que nos deve motivar para apostarmos com mais força, com mais vigor, em medidas que sejam preventivas, desenhadas intencionalmente para estas crianças” para que possam comer melhor e ter um peso adequado.

“O que desejamos é que num espaço de tempo, o mais curto possível, possamos dizer que Portugal compara com os países do norte da Europa”, que têm os melhores resultados nesta área.

O estudo demonstra também que “os hábitos alimentares das crianças continuam a não ser os adequados”, disse Alexandra Bento.

“Há mais consciência do problema, o que não quer que haja mais ação” para o contrariar”, frisou.

O que se verifica é que as crianças que têm peso a mais são filhas maioritariamente de adultos que também têm peso a mais, o que mostra que “os hábitos em casa não são adequados para que se tenha uma alimentação correta”.

Para Alexandra Bento, o ambiente familiar e o ambiente escolar “devem merecer grande atenção” e “o Estado terá que liderar uma grande ação no sentido de melhorar os hábitos alimentares das crianças”, defendeu.


Coordenado cientificamente e conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), em articulação com a Direção-Geral da Saúde (DGS), o COSI produz dados comparáveis entre países da Europa e permite a monitorização da obesidade infantil a cada dois, três anos.



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