Estudos de Nobel impulsionaram laboratório de Coimbra hoje referência internacional


 

Lusa / AO online   Nacional   19 de Out de 2008, 12:22

Há 35 anos, os estudos da matéria com a utilização de laser do Prémio Nobel George Porter impulsionaram a criação de um laboratório na Universidade de Coimbra, cujo prestígio é hoje reconhecido e está ao serviço de investigadores europeus.
    O grupo de laboratórios do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), criado em 1973, vão integrar a partir de 1 de Janeiro de 2009 o LaserLab Europe, uma das redes mais prestigiadas infra-estruturas de investigação neste domínio.

    Tudo começou com Sebastião Formosinho, que preparou o seu trabalho de doutoramento em Inglaterra com George Porter, o investigador que em 1967 arrebatou o Nobel da Química por investigações no domínio das reacções químicas de alta velocidade.

    Ao longo dos anos, os seus discípulos e outros investigadores foram contribuindo para aprofundar as experiências com utilização de laser, criando um conjunto de equipamentos com uma arquitectura que hoje tornam o laboratório português procurado por investigadores europeus.

    Se George Porter foi o grande introdutor dos laser no estudo da matéria, Sebastião Formosinho trouxe para Portugal uma área de estudos inovadora, que permitiu ao Departamento de Química da UC “ir construindo um conjunto de competências e de valências, de formação de recursos humanos, e enriquecimento do laboratório”, explicou à agência Lusa Luís Arnaut, responsável do Laser Lab Coimbra.

    Foi esse conjunto de mais-valias que permitiu apresentar a candidatura a essa rede europeia de laboratórios, cuja finalidade é dispor de uma infra-estrutura multipolar para servir as necessidades de investigadores da Europa que utilizem laser nas suas pesquisas.

    Em vez de “grandes investimentos focalizados apenas num grande laboratório”, esta rede permite utilizar vários equipamentos “cuja competência foi reconhecida pelos seus pares”, cada um com “características únicas” que torna “o conjunto multifacetado e capaz de resolver praticamente todos os problemas da interacção da luz com a matéria”, explicou Luís Arnaut.

    Segundo o investigador, o Departamento de Química dispõe actualmente de recursos humanos qualificados, de técnicas próprias e de um grande conjunto de equipamentos baseados em laser - além de equipamentos acessórios - que permitem “fazer experiências únicas”.

    “A essência daquilo que proporcionamos é a capacidade de estudar coisas muito diferentes. Temos uma grande diversidade de valências, uma grande versatilidade”, explicou.

    A conjugação de equipamentos laser, transformados pelos próprios investigadores de Coimbra com equipamentos acessórios, permite estudar o últra-rápido e o muito lento, processos que envolvem pouquíssima ou “quantidades brutais de energia”, a temperaturas que oscilam entre o 265 graus Celsius abaixo de zero e milhares de graus.

    Luís Arnaut, que dirige o Laser Lab Coimbra em partilha com os colegas Sérgio Seixas Melo e Rui Fausto Lourenço, sustenta que a prestação de serviços a investigadores estrangeiros “foi essencial” para a sua integração nesta rede europeia, com mais dezena e meia de laboratórios de países como a Inglaterra, Alemanha, Itália, França, Hungria, Suécia, Holanda, República Checa ou Lituânia.

    Um investigador interessado em realizar experiências em Coimbra apresenta o seu projecto, e se suscitar interesse é novamente reapreciado pelo comité do LaserLab Europe, que em caso de aprovação lhe concede financiamento.

    Isso não impede que o departamento continue a desenvolver os seus próprios projectos e a disponibilizar o laboratório a outros investigadores. Em 2006/2007 foram 35 de 11 países diferentes, vindos de paragens tão distintas como Israel, Brasil, Índia, Polónia, Finlândia, Espanha ou Alemanha.

    “Vamos ter mais visibilidade, capacidade de inter-funcionamento com outras instituições reconhecidas e prestigiadas” e “vamos reunir valências acrescidas pela visita desses investigadores”, salientou Rui Fausto Lourenço.

    Actualmente, a investigação do laboratório centra-se em áreas como a terapia fotodinâmica para o tratamento do cancro, sensores ópticos, dispositivos emissores de luz (LEDs), química vibracional induzida por infravermelhos, estudos de compactação de DNA e permeação da pele por técnicas de luminescência e aplicação da fotoquímica a conservação de obras de arte, entre outras matérias.

    O mérito dos membros do centro de investigação tem sido reconhecido com a obtenção de prémios nacionais e internacionais mas também com financiamento obtido, que excedeu os dois milhões de euros no período de 2003 a 2007.

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