Estados Unidos aceleram processo de encerramento de Guantanamo

Estados Unidos aceleram processo de encerramento de Guantanamo

 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Dez de 2013, 17:53

Os Estados Unidos anunciaram hoje a transferência de dois prisioneiros de Guantánamo para a Arábia Saudita, apenas alguns dias após o envio, contra a sua vontade, de dois argelinos para o país de origem.

 

“O departamento de Defesa anunciou hoje a transferência de Saad Muhammad Husayn Qahtani, 35 anos, e de M. Hamood Abdulla Hamood, 48 anos, do centro de detenção da baía de Guantánamo para o governo da Arábia Saudita”, afirmou o Pentágono em comunicado, um sinal de uma aceleração das tentativas de Washington em esvaziar as celas do campo de detenção de suspeitos de terrorismo instalado na sua base militar em Cuba.

“Os Estados Unidos coordenaram-se com o governo da Arábia Saudita para garantir que estas transferências respeitam a nossa política de tratamento humano e sejam efetuadas no quadro de uma segurança adequada”, acrescenta o comunicado.

Em paralelo, o ministério dos Negócios Estrangeiros do Sudão informou que os dois últimos cidadãos sudaneses presos na base vão chegar ao seu país na quarta-feira.

O porta-voz do ministério, Abu Bakr al Sadiq, explicou em Cartum que Mohamed Nur Ozman e Ibrahim Ozman Idris serão transferidos para a capital sudanesa num avião militar dos Estados Unidos.

O emissário norte-americano responsável pelo encerramento de Guantánamo, Paul Lewis, congratulou-se hoje com os “progressos concretos” nas transferências de prisioneiros, apesar “das fortes restrições legislativas”, e reafirmou o seu compromisso em “facilitar outras transferências”.

Por sua vez, o responsável do Departamento de Estado Clifford Sloan referiu-se a uma “etapa importante no caminho que conduz ao encerramento da prisão de Guantánamo”.

Após a partida dos dois homens para a Arábia Saudita na noite de sábado, permanecem nas celas da base norte-americana 160 homens, dos 799 que foram enviados para o enclave da ilha de Cuba, e cujo encerramento constitui a primeira promessa de Barack Obama quando alcançou a presidência dos EUA.

Cerca de 20 prisioneiros, acusados de ligações à Al-Qaida ou de envolvimento em atentados mortíferos são considerados pelo Pentágono de “grande valor”.

No entanto, a administração norte-americana não possui provas suficientes para levar a tribunal perto de 80 detidos em Guantánamo. Mas a sua transferência tem-se deparado com a recusa do Congresso, que proíbe qualquer detenção em território dos Estados Unidos e tem dificultado as condições de transferências para países terceiros.

Em 10 de dezembro foi anunciado um compromisso entre republicanos e democratas que poderá permitir transferências para o estrangeiro e facilitar os processos dos detidos sem acusações concretas.

O compromisso, aprovado na quinta-feira pela Câmara de representantes, deve ainda ser aceite pelo Senado.

A maioria dos detidos estão em Guantánamo há cerca de 12 anos, sem acusações nem processos.


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