Escritor Paulo Coelho defende livros na Internet

Escritor Paulo Coelho defende livros na Internet

 

Lusa/AOonline   Cultura e Social   14 de Out de 2008, 18:22

O escritor brasileiro Paulo Coelho elogiou as possibilidades que a internet abre à literatura e pediu às editoras que não vejam a rede como uma ameaça.
Em conferência de imprensa, na abertura da Feira do Livro de Frankfurt, Paulo Coelho mostrou-se convencido de que o livro impresso durará pelo menos mais mil anos.

    O escritor mais traduzido do mundo contou as suas experiências na internet e comparou as repercussões da revolução digital com a revolução de Gutenberg.

    "Devemos à nova técnica de impressão o facto de tornar possível a troca de ideias e refazer o mundo de acordo com estas ideias", declarou o autor de "A Bruxa de Portobello" referindo-se à invenção de Gutenberg.

    Paulo Coelho vê a evolução dos últimos dez anos, com o aparecimento da Internet e de novas plataformas para a difusão de ideias, como uma radicalização do processo de "democratização das ideias" iniciado por Gutenberg.

    "Pouco a pouco as pessoas tomam consciência de que podem divulgar o que quiserem na rede, onde todos podem ver, e que são os seus próprios directores de programa", declarou.

    Na Internet "as pessoas trocam sem custos tudo aquilo que é importante para elas e esperam que isto também seja possível com os produtos de comunicação de massa", o que é crucial para as indústrias relacionadas ao mundo da cultura.

    O escritor brasileiro mostrou-se convencido de que a indústria da música teve uma reacção inicial errada e, ao invés de ver as possibilidades da evolução que estava a passar, tentou impedi-la por meio dos tribunais.

    "Em 2001, conseguiram fazer com que o Napster e outros sites fossem fechados. Tinham vencido uma batalha, mas não a guerra", declarou.

    O escritor considera que, ao invés de recorrer a advogados, a indústria da música deveria ter procurado outra solução como, por exemplo, pedir o pagamento de 5 centavos por música descarregada da Internet.

    O sector editorial parece, segundo Coelho, mais "protegido" da Internet do que a indústria da música ou a indústria cinematográfica.

    A Internet é um meio que tem a ver com a leitura e a escrita e isto fez com que as editoras registassem com alegria um renascimento da comunicação e da expressão escrita nos anos 90, explicou o escritor.

    No entanto, Paulo Coelho afirma que, até ao momento, a atitude do sector editorial relativamente à Internet sofre de incompreensão e falta de entendimento.

    "Lamentam a 'desgraça' de outros sectores e vêem a Internet como um inimigo. No século XVI, os monges que copiavam os pergaminhos provavelmente tiveram a mesma atitude perante os livros impressos", declarou.

    Para o escritor, a Internet é, antes de mais, uma possibilidade de difusão e um caminho para aumentar o número das pessoas que não lêem os textos apenas pela rede, mas que acabam, mais tarde ou mais cedo, por recorrer ao livro impresso.

    Paulo Coelho fala do tema a partir da sua própria experiência. Em 1999 seus livros enfrentavam sérios problemas de distribuição na Rússia, mas quando apareceu uma cópia pirata digital de "O Alquimista" as vendas dispararam.

    "No primeiro ano as vendas passaram de mil para 10 mil exemplares, no segundo subiram para 100 mil e um ano depois tinha vendido 1 milhão de livros", declarou.

    Esta experiência levou-o a disponibilizar alguns dos seus livros, em formato digital.

    "O tempo dirá como vou recuperar o dinheiro que invisto no projecto. Mas invisto em algo pelo qual qualquer escritor do mundo ficaria agradecido: um grande número de leitores para minhas obras", concluiu o autor.

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