Caso Passerelle

Empresário dos Açores nega prostituição em casa que utilizava bailarinas da rede


 

Lusa / AO online   Regional   11 de Out de 2007, 16:09

O empresário Jorge Chaves, proprietário da casa "Show Girls", na ilha açoriana de São Miguel, negou hoje que as bailarinas cedidas pelo empresário Vítor Trindade, do grupo Passerelle, se dedicassem à prostituição.
    "O meu negócio é show", que envolve danças eróticas mas sem qualquer tipo de contacto sexual com os clientes, afirmou hoje o empresário, um dos 22 arguidos que estão a ser julgados no Tribunal de Leiria por suspeita de tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal.

    O empresário recebia bailarinas checas, brasileiras e portuguesas do Continente angariadas pelo empresário Vítor Trindade, que fundou a rede Passerelle, e pagava uma taxa de 20 euros por cada noite que elas trabalhavam.

    Depois, as bailarinas eram pagas por "show" e tinham comissão nas bebidas dos clientes, mas Jorge Chaves negou ter-lhes ficado com os passaportes ou com a sua documentação.

    De acordo com o empresário, as mulheres eram "bailarinas profissionais" e iam aos Açores actuar em "shows" eróticos, não existindo qualquer acto sexual com os clientes.

    Esta manhã, o Tribunal de Leiria iniciou a inquirição dos arguidos depois de duas sessões anteriores marcadas por incidentes formais e sucessivos requerimentos que levaram à separação dos crimes de evasão fiscal do resto do processo, que envolve auxílio à imigração ilegal, tráfico de pessoas e associação criminosa.

    Na quarta-feira, a juiz-presidente do colectivo, Patrícia Costa, ordenou a separação dos crimes fiscais do processo principal com extracção de certidões para que o julgamento tenha lugar noutro local, provavelmente em Lisboa, mas o Ministério Público (MP) anunciou que iria interpor para a Relação de Coimbra desse despacho.

    A decisão de separar os processos seguiu-se ao pedido interposto pelos defensores dos arguidos que irão ser julgados à parte no processo de evasão fiscal sobre os mais de 20 milhões de facturação apurados pelas autoridades nas várias casas do grupo.

    Em Janeiro de 2006, os alegados cabecilhas da rede foram detidos pelas autoridades no âmbito da operação "Yankee", tendo surgido suspeitas de tráfico de mulheres e apoio à prostituição.

    No entanto, a maior parte desses indícios acabaram por não ser provados em fase de investigação e as autoridades concentraram-se nos crimes fiscais.

    Na acusação, o Ministério Público acusa Vítor Trindade e Alfredo Morais de se terem associado "formulando um plano" para criar estruturas comerciais que se dedicavam a fugir aos impostos.

    Era finalidade do grupo "a exploração de actividades relacionadas com o sexo a realizar por mulheres, sobretudo estrangeiras em estabelecimentos espalhados pelo país".

    Nos estabelecimentos, as funcionárias tinham a função de "despertar nos clientes" a "sua libido", através de actividades designadas como "strip-tease em palco, table dance, private dance, contact dance, erótico show room ou shower dance".

    O julgamento continua quinta-feira no Tribunal de Leiria, com a inquirição do gerente do Passerelle de São Miguel, seguindo-se depois Vítor Trindade, o fundador daquela cadeia de estabelecimentos nocturnos.
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