Empresa portuguesa é um dos casos de sucesso identificados pela Casa Branca

Empresa portuguesa é um dos casos de sucesso identificados pela Casa Branca

 

Lusa/AO Online   Economia   22 de Set de 2013, 15:11

A empresa M. Luís Construction, das irmãs portuguesas Cidália e Natália Luís, foi considerada um exemplo das medidas de combate à crise que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, implementou durante o seu primeiro mandato.

No recente discurso de Barack Obama que assinalou os cinco anos da falência do Lehman Brothers e o início da crise, as duas irmãs estavam atrás do Presidente. “Conhecemo-lo momentos antes do discurso, na Casa Branca. Estávamos num corredor quando ele abriu a porta e nos cumprimentou. Não estávamos à espera. Íamos caindo”, lembra Cidália. As irmãs foram depois convidadas para entrar na Sala Oval, junto com os outros convidados que estiveram presentes no discurso, como uma professora, um aluno ou um empresário na área da restauração. “Ele comentou que a sala era mais pequena do que se esperava, mas que o seu contrato acabava dentro de três anos e que estava à espera de um espaço maior”, lembra Cidália. “No caminho para o discurso, ele foi sempre a falar connosco. Naquela manhã, tinha acontecido o tiroteio em Washington, mas ele fez-nos acreditar que, naquele momento, éramos o mais importante que ele tinha para tratar.” Cidália, de 45 anos, e Natália, de 41, nasceram no Pombal e estão desde 2008 à frente da empresa que os pais, Manuel Luís e Albertina Luís, começaram há 28 anos no Maryland. “Eu e a minha irmã ficámos à frente da empresa quando a crise começou”, recordou Cidália Luís à agência Lusa. “Foi a pior altura. De um momento para o outro, deixámos de ter clientes. Os bancos deixaram de conceder crédito. Em 2008 tínhamos 400 trabalhadores e, dois anos depois, estávamos com 150.” Em Setembro de 2010, no entanto, Obama assinou o Small Business Jobs Act, uma legislação que criou o State Small Business Credit Initiative (SSBCI) e atribuiu 1.5 mil milhões de dólares (1.1 mil milhões de euros) a pequenas e médias empresas. Em 2010, em plena crise económica, as empresárias portuguesas recorreram a este mecanismo para comprar uma fábrica de cimento e expandir o negócio para novas áreas. “Nos Estados Unidos, somos a única empresa familiar gerida por mulheres dona de uma fábrica de cimento”, garante Cidália. “Foi graças aos apoios que recebemos que conseguimos sobreviver. As garantias que o estado deu junto dos bancos foram fundamentais. Hoje, já temos 250 funcionários e calculamos que, indiretamente, criamos quatro vezes mais. Todo o ambiente económico é diferente. Vamos continuar a crescer.” Já antes do discurso de segunda-feira, o secretário do Tesouro, Jacob J. Lew, tinha escolhido a M. Luís Construction para iniciar a semana que dedicou às pequenas e medias empresas no mês de Junho. “Desde essa altura que ficámos em contato com a Secretaria do Tesouro. A nossa historia acabou por chegar à Casa Branca e, quatro dias antes do discurso, ligaram-nos a fazer o convite”, explica Cidália. Os pais, que estavam de férias em Portugal até outubro, embarcaram de imediato para os Estados Unidos. “Eles tinham de estar presentes. Não é todos os dias que conhecemos o presidente dos Estados Unidos. É o reconhecimento de todo o trabalho que tiveram e da decisão que tomaram há mais de 30 anos”, diz Cidália.


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