Aquarofilia

Empresa algarvia é a maior produtora europeia de camarão para aquário

Empresa algarvia é a maior produtora europeia de camarão para aquário

 

Lusa / AO online   Economia   18 de Out de 2007, 13:00

De uma incógnita ruína recuperada num monte algarvio, cinco jovens licenciados fizeram a maior empresa europeia de produção de camarões tropicais para aquários de água salgada. Chegam a criar 15 mil espécimes por mês, quase todos para exportação.
Espanha, França, Itália, Alemanha e Reino Unido são os principais destinos dos crustáceos, desejados pelos fãs da água salgada, não só pela beleza singular do seu vermelho vivo tropical, como pela sua utilidade, uma vez que se alimentam de aiptasias, uma praga em forma de anémona que se multiplica dentro dos aquários.

Tudo começou há quatro anos, quando Brian Schaff, um jovem recém-licenciado em Engenharia Biotecnológica pela Universidade do Algarve, decidiu dedicar o seu doutoramento, em Lisboa, ao camarão ornamental.

Daí ao entusiasmo pela produção foi um pequeno salto e com a ajuda de um terreno, próximo de Carvoeiro, concelho de Lagoa, onde repousava uma ruína - que teve que ser recuperada - e de um investimento que rondou os 300 mil euros, nasceu a Lusoreef.

Hoje, quatro anos e outros tantos empregados depois, todos com licenciatura na área, a Lusoreef orgulha-se de ser o maior produtor de camarão ornamental de toda a Europa, apenas porque, justifica o empresário sem tonalidades de orgulho na voz, nos outros países europeus "ainda não aprenderam a dominar esta técnica".

"Fazer isto não é difícil, a dificuldade é fazê-lo em quantidade", observa Brian Schaff, 27 anos.

Garante que o mercado europeu está carente deste tipo de crustáceos mas são os EUA que produzem 60 por cento dos espécimes a nível mundial.

Em todo o mundo, esclarece, o negócio rende 2.000 milhões de euros por ano.

O grande salto exportador da empresa deveu-se a um negócio com a Tropical Marine Center (TMC), a maior empresa distribuidora de espécies marinhas tropicais da Europa, que garante a colocação dos crustáceos nos mercados europeus.

Já para Portugal, apesar do crescimento do mercado da água salgada nos últimos anos, a empresa não vende mais de 200 espécimes por ano, a preços que, na loja, oscilam entre os 10 e os 20 euros por espécime.

"Estes animais nada têm a ver com os camarões comestíveis a que estamos habituados", apressa-se a esclarecer o jovem de ascendência sul-africana, acrescentando que uma simples gamba colocada num aquário poderia pura e simplesmente destruí-lo, além de não ser visualmente bonita, devido à sua transparência.

Ao contrário, o camarão tropical (lysmata seticaudata) ajuda a preservar o habitat ao devorar as anémonas, mas sobretudo "transmite ao aquário uma beleza fantástica, devido àquele vermelho vivo que tem e ao facto de mudar constantemente de cor e de matiz, criando faixas escuras no corpo", assinala Brian Schaff.

Além disso, um camarão tropical, que pode chegar aos quatro anos de vida, tem índices de agressividade muito inferiores a outros crustáceos, pois trata-se de uma espécie "limpadora".

A próxima criação da empresa serão os cavalos-marinhos para aquário, importados do Sri Lanka, graças a um projecto conjunto com a Universidade do Algarve, que deverá dar frutos dentro de dois a três anos, esclarece.

Acrescenta que também a produção de corais e animais tropicais está na calha: em pequenos contentores brancos, já crescem estrelas-do-mar e vários tipos de plantas, caracóis e lesmas do mar.

Além da produção, uma outra vertente da Lusoreef é a distribuição de peixes para aquário, graças a um convite da TMC.

"Isto permite-nos diversificar a nossa oferta para as lojas, baseado em peixes capturados em condições excelentes, sem uso de químicos", afirma, esclarecendo que essas são as regras impostas pela certificação do Marine Aquarium Council.

Calculando que 40 por cento de toda a distribuição da empresa seja para exportação, Brian Schaff admite contudo que 70 por cento dos lucros de todo o negócio advêm da produção de camarão, que é quase toda exportada.

"Em contrapartida, somos obrigados a sacrifícios como o de viver aqui ou haver sempre alguém de serviço, até porque pode haver uma falta de corrente.

Se isso acontecer, elucida, quem estiver de serviço tem 10 minutos para verificar se as bombas não pararam no período de transição para os geradores de gasóleo antes que as larvas de camarão comecem a morrer.

"É por isso que tenho que viver aqui", sintetiza Brian, frisando que o sucesso exportador se deve acima de tudo à dedicação dos que nela trabalham, a começar por ele, que a dirige.

Em suma, em grande parte, a Lusoreef é… a vida de Brian.

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