Donald Trump visita Reino Unido em alvoroço político e paralisado pelo 'Brexit'

Donald Trump visita Reino Unido em alvoroço político e paralisado pelo 'Brexit'

 

AO Online/ Lusa   Internacional   1 de Jun de 2019, 11:49

A visita de Estado do Presidente dos EUA, Donald Trump, ao Reino Unido na próxima semana acontece numa altura de alvoroço político, a dias da demissão da primeira-ministra britânica, Theresa May, e no meio do impasse do processo do ‘Brexit'.

May pretende demitir-se da liderança do partido Conservador em 07 de junho, iniciando uma corrida à sucessão que também dá acesso ao cargo de primeiro-ministro, e que já tem 12 candidatos confirmados.

Trump não esconde que tem um favorito, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson, o qual qualificou, juntamente com o eurocético Nigel Farage, de "dois tipos muito bons, pessoas muito interessantes".

O reencontro com estes dois "amigos" não está confirmado, pois Farage não faz parte da elite política que é convidada para as grandes cerimónias de pompa e Trump não vai discursar no parlamento, por oposição do presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow.

Entretanto, os líderes dos partidos Trabalhista, Jeremy Corbyn, e Liberal Democrata, Vince Cable, vão boicotar o banquete de Estado oferecido pela rainha no palácio de Buckingham, invocando ambos o discurso racista e misógino do Presidente norte-americano.

Mas para Theresa May, mesmo sendo uma figura controversa, Trump continua a ser um parceiro importante, sobretudo numa perspetiva de saída da União Europeia, e foi por isso que o convidou, quando o visitou em Washington, uma semana após a posse do Presidente norte-americano, em 2017.

Então, a primeira-ministra tinha na mira um ‘Brexit' expedito e queria facilitar um futuro acordo de comércio entre os dois países, mas o processo continua por resolver.

A primeira visita, em 2018, foi furtiva e Donald Trump foi desviado da capital britânica para locais alternativos, como o palácio de Blenheim, perto de Oxford, o palácio real de Windsor e a residência de campo de Theresa May.

Tal não foi suficiente para evitar uma entrevista inconveniente de Trump, na qual chegou a dizer que uma parceria próxima com a União Europeia "provavelmente eliminaria" um acordo de livre comércio entre Washington e Londres.

Apenas 24 horas mais tarde recuou e prometeu um "grande acordo comercial bilateral com o Reino Unido", desdizendo as críticas a May sobre o ‘Brexit' e admitindo que era uma "negociação muito complicada", mas a confusão já estava lançada.

Desta vez, num esforço de diplomacia e charme, Trump e a família, incluindo quatro dos filhos adultos, vão receber o tratamento completo de uma visita de Estado, honra só antes oferecida aos antecessores George W. Bush e Barack Obama.

Donald Trump começa na segunda-feira por ser recebido no Palácio de Buckingham pela rainha, Isabel II, e a chegada será assinalada com salvas de canhão em Green Park e na Torre de Londres, seguido por um almoço privado no Palácio oferecido pela rainha, chá em Clarence House com o futuro rei, príncipe Carlos, e a mulher deste, Camilla, e um banquete de Estado à noite, outra vez no Palácio de Buckingham, que deverá incluir um serviço de prata.

Na terça-feira entra em cena o programa mais prático, incluindo um pequeno-almoço de negócios com empresários dos dois países e um almoço de trabalho com Theresa May em Downing Street, seguido de uma conferência de imprensa.

As manifestações que se registaram no ano passado deverão repetir-se, incluindo o famoso ‘baby blimp’, um balão de seis metros que representa Trump de fralda e um telemóvel na mão.

Mas, perante um país paralisado pelo impasse do ‘Brexit', um tema que continua a polarizar os britânicos e sem fim à vista, o ego imprevisível e antagonista do Presidente norte-americano passou a ser um problema secundário.

A visita coincide com as celebrações do 75.º aniversário do “Dia D”, quando as tropas aliadas desembarcaram na Normandia, estabelecendo uma frente de batalha que contribuiu para a derrota das forças nazis na II Guerra Mundial.

O simbolismo da data seria ideal para reforçar a famosa "relação especial" com o Reino Unido e a afinidade com outros países europeus, como França e Irlanda, onde Trump também vai fazer escala nos dias seguintes.

O bloco europeu está em conflito com a Rússia devido aos ataques informáticos e químicos e à hostilidade junto à Ucrânia, e mantém um braço-de-ferro com a China devido à crescente influência económica.

Mas, em vez de cumplicidade, a administração Trump representa em si um desafio devido às ameaças de guerras comerciais e ao abandono de organizações e pactos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês), o Acordo de Paris para as alterações climáticas e o plano nuclear para o Irão.



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