Saúde

Doenças sexualmente transmissíveis aumentam em Portugal


 

Lusa/AOonline   Nacional   20 de Nov de 2008, 15:53

As doenças sexualmente transmissíveis têm aumentado em Portugal, nomeadamente a sífilis congénita e a gonorreia, segundo fontes do sector da Saúde.
De acordo com os dados da DGS sobre doenças de declaração obrigatória, a sífilis recente (detectada pouco tempo depois da contaminação) diminuiu de 127 casos em 2006 para 112 casos em 2007, mas a médica especialista Jacinta Azevedo considera que estes números não correspondem à realidade, por não serem notificados todos os casos.

    Por outro lado, a sífilis congénita (adquirida ainda no útero) registou um aumento de 14 casos em 2006 para 21 em 2007, afectando sobretudo bebés do sexo feminino. Também a gonorreia aumentou de 55 casos em 2006 para 74 casos em 2007, indica a DGS.

    Jacinta Azevedo, médica que faz consultas de doenças sexualmente transmissíveis (DST) no Centro de Saúde da Lapa, Lisboa, afirmou à Agência Lusa que "as notificações não são cumpridas" e que, "mesmo que os números oficiais não indiquem, os casos de sífilis recente aumentaram em Portugal", tal como tem vindo a acontecer noutros países ocidentais.

    "As pessoas pensaram que a batalha estava ganha, distraíram-se e os rastreios pararam", lamentou a médica, acrescentando que em Portugal, ao contrário dos outros países, as DST estão separadas do HIV, levando as pessoas a "esquecerem-se" das outras doenças transmitidas sexualmente.

    Jacinta Azevedo frisou que é "importante fazer o diagnóstico não só do VIH/Sida, como também das outras doenças sexualmente transmissíveis", pois quando uma pessoa corre riscos, não está apenas sujeita a ficar infectada com VIH.

    "Infelizmente, os portugueses ainda não interiorizaram que é preciso haver protecção nas relações sexuais ocasionais", disse à agência Lusa, por sua vez, o presidente do Colégio de Especialidade Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos, Luís Graça.

    O presidente daquela entidade referiu que, apesar de toda a informação existente sobre o assunto, "os portugueses não tomam os devidos cuidados", sendo Portugal o país da Europa que usa menos o preservativo.

    Luís Graça concluiu que "a informação tem sido suficientemente divulgada", mas "é preciso pedir uma atitude pró-activa nas crianças de 11/12 anos, antes de começarem a sua vida sexual".

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.