Dívida soberana domina discurso de Durão Barroso em Lisboa

Dívida soberana domina  discurso de Durão Barroso em Lisboa

 

Lusa/AO Online   Nacional   11 de Nov de 2011, 06:49

 O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, vem hoje a Lisboa discursar numa conferência sobre o ensino superior, mas as atenções estarão centradas na crise da dívida soberana na zona euro e nas divisões que está a provocar.

O discurso de Durão Barroso tem como tema "O Ensino Superior na ‘Estratégia 2020’ da União Europeia", e acontece um dia depois de a Comissão Europeia lançar as previsões económicas de outono, que antecipam um agravamento da generalidade dos indicadores económicos, e dois dias depois de um discurso em Berlim no qual sublinhou a importância de a Europa avançar num espírito comunitário.

Nesta altura de crise, a Alemanha tem de mostrar liderança, mas num “espírito comunitário”, afirmou o presidente da Comissão Europeia num discurso na quarta-feira, em Berlim, agradecendo, simultaneamente, a grande contribuição financeira que Berlim tem dado para tentar superar a atual crise das dívidas soberanas.

Durão Barroso voltou a defender a ideia de que o governo da Europa deve ser confiado à Comissão, sustentando que as instituições supranacionais são “o melhor garante pelo respeito dos princípios acordados numa união de Estados” soberanos.

“São precisamente estas instituições supranacionais que têm a independência e a objetividade para assegurar que todos os Estados-membros, tanto aqueles da Zona Euro como os outros, são tratados da mesma forma à luz dos Tratados”, disse.

Horas depois, o espanhol El País dava conta de conversações entre altos funcionários dos governos franceses e alemães sobre a criação de um 'núcleo duro' dentro da União Europeia, impulsionadas pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, que tem eleições em 2012 e que está "preocupado em não perder a qualificação de AAA da dívida soberana" francesa.

A iniciativa franco-alemã está, segundo o jornal a provocar "uma irritação lógica no presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que vê como a Comissão vai perdendo relevância enquanto ganha força o eixo Merkel-Sarkozy".

O discurso de hoje em Lisboa acontece também num momento marcado pela revisão em baixa das previsões de crescimento da economia europeia, que arrisca mesmo mergulhar novamente em recessão, apesar de a Comissão prever um crescimento de 0,5 por cento para o próximo ano.

A economia da zona euro crescerá 0,5 por cento em 2012 e os riscos de uma nova recessão são reais porque "a recuperação da economia da União Europeia (UE) parou", admitiu hoje a Comissão Europeia nas previsões de outono.

"A recuperação da economia da UE parou. A confiança deteriorou-se acentuadamente e está a afetar o investimento e o consumo, o enfraquecimento do crescimento global está a prender o aumento as exportações, e a urgente consolidação orçamental está a pesar sobre a procura doméstica", alertou o executivo comunitário.

A previsão de Bruxelas é que em 2012 haja o referido crescimento ténue de 0,5 por cento da economia da zona euro, sendo expetável que em 2013 haja um "crescimento lento" de 1,3 por cento.

Em termos gerais, e comparando com as anteriores previsões da primavera da Comissão, o cenário é francamente mais negativo: na ocasião, Bruxelas apontou para um crescimento económico de 1,8 por cento para a Zona Euro em 2011.


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