Descida do preço do leite contraria posição do Tribunal de Contas da UE

O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), Jorge Rita, considerou "lamentável" a descida do preço do leite na região, que contraria uma auditoria do Tribunal de Contas da União Europeia



Jorge Rita falava na sequência da decisão da Unicol de reduzir em três cêntimos o preço do leite ao produtor nas ilhas Terceira e Graciosa, a partir de fevereiro.

O presidente da FAA lembrou que esta redução surge depois de a Lactogal ter anunciado, no final de dezembro, uma descida também de três cêntimos a partir de 01 de janeiro.

O dirigente referiu, contudo, que, “quando houve as subidas na Lactogal [do preço do leite] estas foram sempre muito superiores às que a Unicol fez”, sendo esta uma industria do universo Lactogal.

Para Jorge Rita, esta descida do preço vai ter “claramente um efeito dominó nas outras industrias”, uma situação “lamentável pela dimensão da descida”.

Isto acontece “em duas ilhas em que a Unicol é a que pior paga o leite nos Açores e em Portugal”, afirma o dirigente, que recorda que o cabaz de compra dos produtos lácteos ao consumidor subiu em janeiro, “não fazendo qualquer tipo de sentido haver uma baixa do preço do leite ao produtor”.

Em janeiro, o Tribunal de Contas da União Europeia divulgou uma auditoria ao POSEI- Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade, no período 2019-2023, na qual concluiu que a valorização dos produtos lácteos açorianos “não foi a desejada, notando ainda irregularidades pontuais no apoio a produtores”.

Recorde-se que o Tribunal reconheceu que os fundos europeus (até 653 milhões de euros anuais para regiões ultraperiféricas) “estabilizaram o setor”, mas insistiu na “necessidade de maior impacto na valorização”.

“Isso são indicações do Tribunal de Contas da União Europeia, que reconhece o trabalho que os agricultores têm feito, levando em conta aquilo que são as nossas preocupações e desafios”, afirmou Jorge Rita.

Segundo o presidente da FAA, apesar de haver jovens com “grande vontade de entrar no setor”, as indústrias “matam completamente a sua entrada e afastam cada vez mais os produtores que produzem leite com qualidade, que não é valorizado”.

Admitiu ainda uma fuga de produtores de leite para a fileira da carne, que está em alta no mercado e cujas exigências não são as mesmas.

Jorge Rita recordou que, em contraciclo, vai abrir na ilha Terceira uma unidade fabril com capacidade para 70 milhões de litros de leite, enquanto em São Miguel as fábricas “querem aumentar substancialmente a sua capacidade de produção”.

“Se dizem que tem leite a mais nessa conjuntura, se nos estão empurrando para fora do setor, como é que depois podem ter uma reação dos produtores”, questiona o dirigente, que recorda que se reduziu 50 milhões de litros de leite, nos últimos anos, e são esperados mais 15 milhões “com a apetência que a carne está a ter”.


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