Sociedade

Crise inverte papéis e agora filhos preocupam-se com problemas dos pais

Crise inverte papéis e agora filhos preocupam-se com problemas dos pais

 

Lusa/AO online   Nacional   24 de Set de 2012, 16:45

A terapeuta familiar autora do livro "Psicologia de Família", que será lançado terça-feira, defendeu esta segunda-feira que a crise económica está a inverter os papéis na família, com os filhos a preocuparem-se com os pais e os seus problemas.

“Nota-se uma maior preocupação das crianças em relação aos pais. Há uma espécie de inversão de papéis”, alerta Sofia Nunes da Silva, especialista da Unidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Departamento de Pediatria do Hospital Santa Maria Hospital Santa Maria.

De acordo com Sofia Nunes da Silva, “a atual situação está a obrigar a mudanças de hábitos e, para muitas famílias, esta é a primeira crise económica que estão a viver. As pessoas andam mais tensas, mais deprimidas e preocupadas”.

Muitos pais optam por não falar dos problemas com os filhos, numa tentativa de os proteger. Mas, para a terapeuta, esta decisão é prejudicial para as crianças, que são “esponjas que absorvem tudo”.

Sem perceber bem o que se passa à sua volta, as crianças "ressentem-se".

“Os não ditos são prejudiciais”, alerta a especialista, lembrando que os filhos podem mesmo sentir-se culpados pelo ambiente familiar e pelas alterações de rotina.

“Os miúdos têm direito a ser esclarecidos dos tempos diferentes que estão a viver e das mudanças que têm de fazer. Para as crianças é bom sentirem-se úteis e até pensarem o que poderão fazer para ajudar os pais”, defende a psicóloga clínica, que entende que a partir dos cinco ou seis anos é benéfico falar com os filhos sobre o que se passa, "sem colocar um ar dramático”.

Às suas consultas chegam cada vez mais casos associados à crise económica. E depois de anos a apoiar as famílias que frequentam as suas consultas no Santa Maria e no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, Sofia Nunes da Silva sentiu “necessidade de chegar a mais pais”. A solução encontrada foi escrever um livro que abordasse alguns dos problemas que afetam a maioria das famílias.

Defensora de que “não existe uma única forma de educar”, a autora de “Psicóloga de Família” dá conselhos, exemplos práticos e pistas para ajudar a pensar sobre questões como o “nascimento dos filhos, a educação, as birras, a escolaridade ou a crise conjugal”.

“Há fases mais exigentes que são comuns às famílias e, por vezes, os pais sentem-se perdidos e questionam-se muito. É bom saber que essas não são dificuldades exclusivas de um pai ou de uma mãe, porque ajuda a relativizar as coisas”, explica a autora do livro que será lançado terça-feira.

A psicóloga clínica lembra que ninguém nasce ensinado para ser mãe, pai ou filho, mas acredita que “os pais são os maiores especialistas dos seus filhos”.

“Este livro não é mais um manual de auto-ajuda”, defende Daniel Sampaio no prefácio da obra, que considera apresentar “uma nova forma de viver para as crianças e suas famílias”.


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