Crise internacional é ‘gripe’ mas crise nacional é ‘doença crónica’

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Rui Jorge Cabral   Regional   12 de Nov de 2009, 23:12

Estas são as receitas para Portugal do economista Vítor Bento, que foi quinta-feira à noite o conferencista convidado da sessão de lançamento da revista "100 Maiores Empresas dos Açores 2008" e respectiva entrega de prémios, no Hotel Açores Atlântico.

Canalizar investimento para a produção de bens transaccionáveis; apostar menos nas infra-estruturas e nos sectores protegidos da economia; reduzir os custos do trabalho associados à rigidez laboral e à burocracia e baixar a dívida pública. 

Vítor Bento, que actualmente é presidente do Conselho de Administração da SIBS, partilhou com a assistência a sua perspectiva sobre o estado actual da economia portuguesa, os seus constrangimentos e as possibilidades de os superar. Para Vítor Bento, "uma das dificuldades que temos tido em Portugal é a falta de consenso sobre a natureza do problema que enfrentamos e, sem esse consenso, não é possível resolvê-lo adequadamente".

A economia portuguesa sofre de alguns "bloqueios estruturais", com o problema muito mais do lado da oferta do que da procura. "Vivemos há 10 anos com uma procura muito superior ao que conseguimos produzir e acima das nossas possibilidades. Quando muitos entendem que a forma de resolver esse problema é gastando mais dinheiro, essa é a forma errada. Isso será como deitar água numa banheira entupida. Já não enchemos mais a banheira e só desperdiçamos água", explicou o economista.

Segundo Vítor Bento, Portugal passa actualmente por duas crises: uma estrutural, que dura há cerca de uma década e a turbulenta crise internacional, que apanhou também Portugal. Vítor Bento compara a crise internacional a uma gripe, que ataca forte e causa normalmente uma preocupação grande num curto intervalo de tempo, enquanto que a crise estrutural é uma doença crónica, que se manifesta sem grandes alarmes, mas que comporta em si mesma um risco mortal muito maior. "É para essa crise estrutural que temos de dirigir a nossa atenção e não é isso que temos feito", adverte o economista.

Embora se manifeste desconhecedor da economia açoriana em particular, Vítor Bento não deixou de afirmar que os Açores, perante a crise que atravessa Portugal e a generalidade das principais economias mundiais, "devem procurar diversificar as suas fontes de rendimento". Perante uma sala cheia, seguiram-se as apresentações do júri e dos critérios de selecção das empresas, com as sempre aplaudidas entregas de prémios a representarem o reconhecimento de um ano de trabalho.

 

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