Crescimento dos salários reais cai pelo segundo ano


 

Lusa/AO Online   Economia   3 de Nov de 2009, 11:28

O crescimento dos salários reais, que caiu de forma "drástica" em 2008, vai continuar a diminuir este ano, apesar dos sinais de uma possível recuperação económica.

Segundo o relatório 2009 da OIT sobre salários e vencimentos, em metade dos 35 países analisados, o salário mensal real baixou no primeiro trimestre do ano, comparado com o salário médio de 2008.

Esta queda deveu-se, essencialmente, a uma diminuição da quantidade de horas trabalhadas, refere a organização.

De acordo com os dados da OIT - com base numa amostra de 53 países para os quais existe informação - o crescimento do salário real médio, por sua vez, desceu de 4,3 por cento em 2007 para 1,4 por cento em 2008.

Entre os 10 países do G20 sobre os quais existe informação disponível, o crescimento do salário real médio baixou de 1 por cento 2008 para -0,2 por cento em 2008.

De acordo com a coordenadora do relatório da OIT, Manuela Tomei, a "contínua deterioração dos salários reais a nível mundial levanta sérias questões sobre a verdadeira dimensão de uma recuperação económica, sobretudo se os governos retirarem as medidas de estímulo demasiado cedo".

Pela positiva, a OIT destaca que a maioria dos países, entre os quais Portugal, elevou os seus salários mínimos nos últimos anos, contrariamente às recessões anteriores, em que prevaleceu a preocupação com o impacto que a subida de salários mínimos poderia ter em termos de custos laborais.

"Isto reflecte a preocupação dos países quanto ao crescimento do trabalho não qualificado e mal pago", sublinha a OIT.

Em 2008, metade dos 86 países sobre os quais existe informação disponível - incluindo grandes economias como os EUA, Rússia e Japão - aumentou o salário mínimo acima da inflação.

No entanto, a OIT salienta que a deterioração actual dos salários acontece depois de uma década de moderação salarial que antecipou a crise actual.

O relatório considera, assim, que os anos de estagnação salarial em relação aos ganhos de produtividade contribuíram para o surgimento da crise, ao não permitir que as famílias aumentassem a sua capacidade de consumo, excepto através do endividamento.

"No futuro, se quisermos alcançar a sustentabilidade económica e social será essencial restabelecer o vínculo entre crescimento da produtividade e incremento dos salários", sustenta Manuela Tomei.

O relatório atenta também que os prémios excessivos pagos a altos executivos, sem relação ao seu desempenho, também contribuiu para o estalar da crise, ao distorcerem a estrutura de incentivos no sector financeiro e fomentando a procura de riscos e benefícios a curto prazo.

Outro aspecto que preocupa a OIT prende-se com o aumento dos atrasos no pagamento dos salários, sobretudo nos países onde isto era já um problema, como a Ucrânia ou a Rússia.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.