Açoriano Oriental
Covid-19: Bares em Ponta Delgada entre desânimo e busca de soluções

Com horários mais apertados devido à covid-19 e ao receio de mais casos, os bares de Ponta Delgada tentam adaptar-se e ser criativos, mas para alguns o desânimo já levou a melhor e o ano está perdido.

Covid-19: Bares em Ponta Delgada entre desânimo e busca de soluções

Autor: AO Online/ Lusa

O executivo açoriano anunciou esta semana a decisão de encerrar, até 01 de setembro, as discotecas em São Miguel, sendo que os bares na ilha têm agora as 22:00 como hora limite de atividade.

Mário Franco abriu o Tã Gente no verão de 2018.

Situado no centro de Ponta Delgada, o bar funciona normalmente, às sextas-feiras e sábados, até às 03:00, e o responsável pelo espaço admite que teve de reinventar "um bocadinho" o conceito para os horários impostos: o serviço de bar encerra agora todos os dias as 22:00 mantendo-se o serviço de restaurante até as 00:00 durante a semana e até as 01:00 as sextas-feiras e sábados.

"Aumentámos o horário de fecho em termos de restauração, mas vai haver uma redução de clientes, isso é indiscutível", reconhece o micaelense.

Mário Franco traça um comparativo com o abandono da transportadora norte-americana Delta da operação para São Miguel: "Deixámos de ter norte-americanos. Não é que fossem muitos, mas eram bons clientes".

Habitualmente, o quarteirão do Tã Gente torna-se um dos locais mais concorridos da noite de Ponta Delgada, muito devido, também, à afluência ao bar Canto do Aljube.

Tal como o vizinho, o Aljube também se reinventou perante as restrições impostas pelo Governo Regional.

“Não foi bem uma reinvenção”, corrige o gerente, João Botelho, justificando em seguida: “o Canto Aljube sempre abriu como restaurante, mas com o evoluir das coisas vendíamos mais bebida e começámos a apostar mais na bebida, mas sempre tivemos comida”.

O empresário, que considera que o Governo Regional cedeu a “uma pressão da sociedade” ao implementar as restrições, exemplifica com os casos de “latas de atum”. “Sempre” tiveram, mas não “promoviam”: “Agora passamos a promover”, diz.

Através da venda de comida, conseguem estar abertos depois das 22:00, mas João Botelho salienta que ainda é necessário “ganhar a confiança dos locais”, fazendo-os ver que a cadeia de transmissão local de covid-19 registada em São Miguel “não teve nada a ver com estabelecimentos noturnos”.

“Os locais estão com um bocado de medo, mas os turistas estão na boa. Os turistas mantêm um ambiente que, se não fossem eles, isto estava tudo deserto”, afirma João Botelho, apontando para as ruas da baixa da cidade.

Quem não teve margem para se reinventar foram as discotecas. Com ordem para reabrir desde 05 de junho (com a exigência do uso de máscara), agora foram obrigadas a encerrar.

O proprietário da discoteca Karma Privé, João Velho, considera a decisão um “ato de irresponsabilidade” e um “ato prematuro” do Governo Regional, que cedeu à “opinião pública” e “não aos factos”.

O empresário salienta que o espaço estava a funcionar com dois terços da lotação, mediante o plano de contingência elaborado com a Autoridade de Saúde. Agora, com o encerramento, o prejuízo vai ser “muito grande” e “incalculável”

“[O Governo Regional] devia carregar com os prejuízos todos. Tomando uma decisão prematuras dessas, sem factos, sem argumentos, o governo deveria acatar todas as responsabilidades desse ato negligente”, declara.

Até ao momento, foram detetados nos Açores 193 casos de infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, verificando-se atualmente 22 casos positivos ativos, todos na ilha de São Miguel.

Morreram na região 16 pessoas com covid-19.


 
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