Açoriano Oriental
Comissão Europeia acentua pressão sobre Estados-membros para aprovarem orçamento

A Comissão Europeia advertiu que as negociações para o orçamento europeu 2021-2027 estão “mais atrasadas que nunca” e que, sem acordo, “para tudo”, ao que o Parlamento Europeu respondeu reiterando o pedido de um plano de contingência.

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Foto: EPA/PATRICK SEEGER
Autor: Lusa/AO Online

As negociações do chamado quadro financeiro plurianual estão num impasse e a próxima etapa é a cimeira extraordinária convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, para 20 de fevereiro.

“É uma negociação muito complexa, desta vez dificultada ainda mais pelo ‘Brexit’, que cria um fosso financeiro de 70 mil milhões de euros”, e pelas “importantes novas prioridades da União Europeia, como o clima, migrações ou defesa”, admitiu Gert Van Koopman, “número um” da Direção-Geral do Orçamento da Comissão Europeia, num encontro, na terça-feira, com jornalistas portugueses em Bruxelas.

“E, para agravar ainda mais, estamos muito, muito atrasados com estas negociações, mais atrasados do que alguma vez estivemos”, acrescentou.

Van Koopman frisou que “vale a pena parar para pensar” no que acontece se não houver acordo.

“A resposta é que o resultado provável é não haver política de coesão no próximo ano, não haver políticas modernas no próximo ano e não haver rebates nas contribuições no próximo ano. A única coisa que haverá é os salários serem pagos e a ajuda de emergência continuar disponível, mas tudo o resto para”, assegurou.

A este alerta, a eurodeputada socialista Margarida Marques, correlatora e membro da equipa de negociação do Parlamento Europeu para o quadro financeiro plurianual, respondeu, num outro encontro com os jornalistas portugueses, com o pedido feito pelo Parlamento Europeu à Comissão, numa resolução adotada em outubro para elaborar um plano de contingência que permita evitar esse risco.

“Essa resolução diz claramente que se não houver tempo de haver decisão política sobre o Quadro Financeiro Plurianual, a tempo dele entrar em vigor no dia 01 de janeiro de 2021, tem de haver um plano de contingência”, explicou.

“Pedimos um plano de contingência […], basta uma página de papel A4, com dois aspetos: os montantes e as regras”, acrescentou.

Mas Margarida Marques concorda com a necessidade de “fazer pressão junto do Conselho” e assegurou que o PE tem “tentado usar de todas as formas de fazer pressão” sobre os Estados-membros.

A eurodeputada, que esteve na segunda-feira na Croácia, o país que assegura a presidência rotativa do Conselho Europeu neste semestre, não está otimista quanto a um acordo.

“Estou convencida que não vai haver decisão durante a presidência croata. Mas se a presidência alemã herdar este problema, não acredito que queira terminar a presidência sem resolver o problema”, disse.

Quanto à cimeira extraordinária de 20 de fevereiro, Margarida Marques acredita que poderá desbloquear posições.

“Acho que este conselho do dia 20 o mais que pode é conseguir desbloquear a situação (...) em que nos encontramos. E a reunião de sábado, em Beja, pode ajudar a contribuir para isso”, afirmou, aludindo à reunião dos países Amigos da Coesão, o grupo 16 países do sul e do leste europeu que se opõem a cortes na política de coesão.


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