Cimeira UE e África suscita leituras políticas diversas

Cimeira UE e África suscita leituras políticas diversas

 

Pedro Nunes Lagarto   Regional   23 de Nov de 2007, 16:25

 A II Cimeira União Europeia e de África, que terá lugar nos dias 8 e 9 de Dezembro em Lisboa, no âmbito da presidência portuguesa da União, não reúne para já consenso acerca do seu eventual desfecho.

Uma visão mais  romântica e positiva do relacionamento de ambos os continentes por oposição a uma leitura mais realista quanto céptica, marcaram o encontro promovido pela Associação de Imigrantes dos Açores (AIPA), em parceria com o Açoriano Oriental, em Ponta Delgada, em jeito de antecipação do que poderá vir  a acontecer em Lisboa.

Para além de permitir um melhor conhecimento da realidade africana e de salientar a urgência de um novo relacionamento entre a União Europeia e África junto da sociedade açoriana, da iniciativa resulta a elaboração de um documento com as intervenções dos conferencistas para posterior envio à Comissão de preparação da cimeira.

Entre os convidados um responsável da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Tadeu Soares, um responsável da Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD), Pedro Krupenski,  três eurodeputados, Duarte Freitas, Ilda Figueiredo e Paula Casaca, um representante do Gabinete Europeu do BE, um representante do Governo dos Açores, André Bradford,  e a presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Berta Cabral.

Desde o início ficou claro que não será fácil concretizar um novo compromisso entre a União Europeia e África até por que, segundo recordaram alguns dos palestrantes, caso estivéssemos perante matéria pacífica não teria havido um interregno de sete anos com relação à primeira cimeira.

Razões históricas de dominação, falta de respeito pelos direitos humanos, ausência de conhecimento mútuo, entrada em cena de novos países na União Europeia, (leste),  fragilidade de muitos regimes africanos, a própria natureza diversa de África (ou melhor, Áfricas?), entre  outros factores, concorrem para dificultar os trabalhos.

Mas, apesar das diversidades históricas e actuais, há também lugar à esperança.
Conforme salientou Paulo Mendes, presidente da AIPA, a União Europeia está em condições de lançar um “novo olhar” sobre o continente africano, assente na promoção efectiva de um modelo de globalização do desenvolvimento humano e não da pobreza.

Um caminho a ser percorrido  sem uma atitude paternalista, por parte da União, e de desconfiança, por parte de África, acrescentaria o eurodeputado Duarte Freitas.
Precisamente a passagem da teoria à prática, a chamada  operacionalização do novo modelo de relacionamento, parece constituir o cerne da questão, pelo menos é esta a tese defendida pelo secretário adjunto executivo da CPLP.
José Tadeu Soares sustenta que  existem fortes razões  para que se realize a cimeira da União Europeia e de África - políticas, económicas, ambientais, de segurança e estratégicas - “mas que é tempo de passar à acção”.

Estarão os europeus efectivamente na disposição de apoiar e de colaborar com África?


Resposta unânime para essa questão não houve, registou-se sim o alerta: atenção à China (e também à Rússia), que dá sinais claros de querer preencher o lugar até então “deixado vago” pela União Europeia.


No final dos trabalhos a autarca Berta Cabral afirmou que Portugal, e os Açores em particular, têm com África uma “grande afinidade”, ao passo que a AIPA prometeu reeditar a iniciativa, para se reflectir acerca dos resultados da Cimeira de Lisboa.

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