O processo foi aberto em 16 de abril e o prazo para estrangeiros apresentarem pedidos para regularizar a situação em que vivem e trabalham em Espanha terminou na terça-feira, 30 de junho.
O Governo espanhol já tinha divulgado que os pedidos superavam um milhão e confirmou agora que o número final é 1.174.978, sendo 67% de pessoas oriundas de países da América Latina e a nacionalidade mais representada a colombiana (26%).
Por outro lado, cerca de 608.000 pedidos já tiveram resposta positiva, o que significa que esses imigrantes possuem agora uma autorização de residência e trabalho em Espanha válida por ano, conseguida dentro deste processo extraordinário.
Essa autorização terá depois de ser renovada ao abrigo da lei geral de imigração.
Segundo os dados do Governo, a região com mais pedidos de regularização é a Catalunha (257.000), seguida por Madrid (202.000), Comunidade Valenciana (167.000) e Andaluzia (161.000).
O primeiro-ministro espanhol considerou esta semana que os números de pedidos de regularização provam que este processo extraordinário era uma medida necessária.
“Queremos que o mundo veja Espanha como um país que respeita, protege e garante os direitos humanos”, afirmou Pedro Sánchez, acrescentando que este processo é também “uma decisão boa para a economia” do país.
O líder do Governo reconheceu que há desafios relacionados com a integração e apresentou na terça-feira um Plano de Integração e Cidadania, para o qual o executivo pretende destinar 500 milhões de euros no primeiro ano de execução.
Quando anunciou o processo extraordinário de regularização, o Governo espanhol tinha estimado que podia abranger meio milhão de pessoas.
Este processo destina-se a estrangeiros sem antecedentes penais que tenham entrado em Espanha até 31 de dezembro de 2025 e que certifiquem uma permanência ininterrupta de cinco meses no país.
A medida teve, em Espanha, o apoio de organizações não-governamentais (ONG), da Igreja Católica, dos sindicatos e das associações empresariais e foi criticado pelos partidos de direita e de extrema-direita, assim como por outros países da União Europeia.
"Quem vive no nosso país e está a contribuir para o seu desenvolvimento económico, merece ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão", afirmou Sánchez recentemente, em resposta a questões levantadas por homólogos europeus.
O primeiro-ministro espanhol tem sublinhado os estudos que certificam e destacam o contributo da imigração para o bom desempenho da economia de Espanha, das que mais cresce neste momento na UE, num país que, envelhecido e "sem novas pessoas a trabalhar", verá "a prosperidade travada".
Tem também defendido os protocolos assinados com países africanos, que têm diminuído a chegada de pessoas a Espanha de forma irregular nas embarcações conhecidas como 'pateras'.
