Eutanásia

Cavaco Silva diz que legalização não respeita espírito da Constituição

O ex-Presidente da República Cavaco Silva considera que a legalização da eutanásia “não respeita o espírito da Constituição" e defende que a despenalização desta prática é "mais um sinal da deterioração da qualidade da nossa democracia".



Numa declaração à Rádio Renascença na semana em que o parlamento vota os projetos de legalização da morte medicamente assistida, Cavaco Silva critica também a gestão de prioridades da Assembleia da República.

"Num país como Portugal, com um dos piores riscos de pobreza e exclusão social da União Europeia e sem uma rede de cuidados paliativos a que os doentes de famílias mais desfavorecidas possam ter acesso, num Portugal em que se acentua o empobrecimento em relação aos outros países, a prioridade dos deputados é a legalização da prática da eutanásia, autorizar um médico a matar outra pessoa", afirma.

Na semana em que o parlamento vota o texto de substituição que legaliza a morte medicamente assistida, o ex-Presidente da República diz não ter qualquer dúvida sobre a inconstitucionalidade da lei da eutanásia: "A legalização da eutanásia não respeita o espírito da Constituição".

Após a votação na especialidade, e depois da votação final global em plenário, a lei segue para Belém, para avaliação do Presidente da República. Na última legislatura, Marcelo Rebelo de Sousa vetou o diploma por duas vezes, uma delas precisamente por inconstitucionalidade.

Cavaco Silva alerta que "autorizar por lei um médico a matar outra pessoa é um salto no desconhecido extremamente perigoso", afirmando: "em alguns países europeus têm sido reportados casos de pressões sobre idosos e doentes para que aceitem ser mortos. Os mais velhos e os doentes são os mais frágeis".

A votação do diploma na especialidade irá ocorrer na quarta-feira na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, depois de ter sido adiada durante o mês outubro.

PUB

Uma operação policial realizada na freguesia de São José, em Ponta Delgada, resultou na apreensão de material suspeito de constituir produto de furto realizado no Aeroporto João Paulo II, divulgou a PSP