Cavaco Silva avisa que crise "quase de certeza" vai atingir portugueses


 

Lusa/AO   Nacional   24 de Set de 2008, 06:13

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou hoje que o mundo inteiro sofrerá com a crise financeira com origem nos Estados e alertou que "quase de certeza vai atingir os portugueses".
"Aqueles que sofrem esta crise financeira estão espalhados pelo mundo”, disse Aníbal Cavaco Silva, em declarações à comunicação social durante a sua visita à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

    “Não só porque têm menos acesso ao crédito, [mas também porque] pagam taxas de juro mais elevadas", justificou.

    O Presidente da República avisou que esta crise “quase de certeza, vai atingir os portugueses” e prometeu aprofundar este assunto “depois de ouvir aqueles que têm uma responsabilidade no sistema financeiro mundial.”

    “Todos pagam uma factura, não são só os contribuintes norte-americanos. A minha preocupação volta-se para aqueles que são as vítimas”, disse.

    Na próxima quinta-feira, Cavaco Silva visitará a Bolsa de Nova Iorque (BNI), onde será recebido pelo CEO da BNI, Duncan Niederauer, que lhe oferecerá uma estatueta com o símbolo da BNI (um touro e um urso), tocará o sino que indica a abertura oficial da sessão, assinará o livro de honra, e ainda terá oportunidade de vislumbrar a bandeira portuguesa hasteada à porta daquela instituição.

    “A BNI é o epicentro do ciclone financeiro”, afirmou o chefe de Estado português, acrescentando que tem a sua ideia sobre aquilo que falhou: “Os reguladores, os supervisores, bancos centrais, a invenção que se fez de produtos financeiros”.

    “Permitiram-se todas as invenções. De tal forma que, agora, nem se consegue descortinar o que é que está dentro dos vínculos financeiros que foram inventados. Os produtos são tão complexos, nem os próprios reguladores entendem o que está dentro desses produtos", sublinha.

    O Presidente considerou que os líderes mundiais não pdem deixar de discutir este assunto.

    “Mas já existe uma cooperação entre instituições financeiras internacionais. O Banco Central Europeu já foi chamado e tem colaborado na cedência de liquidez em grandes montantes. Vamos ver com é que o sistema reage à proposta que está a ser discutida entre a Administração norte-americana e o Congresso”, explica, sublinhando “que estão 700 biliões de dólares em discussão, seis vezes o produto interno português.”

    “Mesmo assim, há quem diga que não chega, que tem de ser um trilião, mostra bem a dimensão desta crise e há, com certeza, responsáveis,” disse.

    No entanto, o Presidente da República assegurou não acreditar que esta crise signifique a falência da economia de mercado.

    “Funciona se houver uma regulação. Não podia funcionar segundo uma regra geral da mão invisível. Por isso é que existem entidades reguladoras, por isso é que existe responsabilidade dos governos. Alguém disse, a democracia é o pior dos regimes, excepto todos os outros; a economia de mercado é a pior, excepto todas as outras”, afirmou.

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