Caso "Casa Pia"

Carlos Silvino vai fazer novas declarações ao tribunal


 

Lusa/AOonline   Nacional   26 de Nov de 2008, 11:58

O advogado de Carlos Silvino, o principal arguido no processo de pedofilia da Casa Pia de Lisboa, disse ao tribunal que o seu constituinte pretende fazer novas declarações, o que foi autorizado.
Esta decisão ocorre quando o Ministério Público está prestes a concluir as alegações finais, que começaram na segunda-feira, tendo até agora imputado a Carlos Silvino cerca de 60 crimes de abuso sexual, mas deixando cair mais de quatrocentos outros.

    Confrontado com o pedido de Carlos Silvino, o tribunal concordou, desde que o procurador também acedesse à intenção do principal arguido do processo, facto a que João Aibéo anuiu, pelo que Carlos Silvino deverá ainda falar durante a manhã no tribunal de Monsanto, onde está a decorrer o julgamento.

    O advogado de Carlos Silvino, José Maria Martins, justificou a intenção do arguido em prestar declarações a meio das alegações finais com o repto que foi lançado, terça-feira à tarde, pelo Ministério Público relacionado com o que o ex-motorista da Casa Pia saberia sobre factos que envolverão o ex-provedor adjunto da instituição Manuel Abrantes.

    José Maria Martins considerou que, embora não seja um procedimento normal interromper as alegações finais para que um arguido preste declarações, neste momento "é claro" que seria “desleal” deixar as declarações do principal arguido para depois das alegações finais.

    O advogado lembrou, contudo, que Carlos Silvino já declarou em audiência que todos os arguidos são culpados e que as crianças (da Casa Pia) lhe disseram que o arguido Manuel Abrantes esteve em Elvas - onde alegadamente ocorreram abusos sexuais de jovens casapianos.

    Entretanto, Marta Saramago, uma das advogadas de Manuel Abrantes, opôs-se a que Carlos Silvino seja ouvido hoje de manhã, uma vez que o ex-provedor adjunto da instituição não se encontra presente nesta sessão do tribunal.

    Por outro lado, Marta Saramago explicou também que o principal advogado de defesa de Manuel Abrantes, Paulo Sá e Cunha, também está ausente, pelo que não seria oportuno reiniciar a produção de prova, pelo menos na ausência de Manuel Abrantes.

    Face a estes constrangimentos, Marta Saramago solicitou que Carlos Silvino preste declarações hoje à tarde e não de manhã, como tinha sido inicialmente pedido, para dar oportunidade de Manuel Abrantes de estar presente.

    Perante todos estas intervenções das partes, a juíza irá pronunciar-se sobre o adiamento dos trabalhos.

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