O Teatro Micaelense acolhe amanhã, (25 julho) pelas 21h30, o concerto ‘Na Primeira Pessoa’, com Carlos Alberto Moniz. O músico açoriano, nascido na ilha Terceira, irá levar o público a viajar pelos seus 55 anos de vida artística, com as suas canções, histórias e memórias.
Em entrevista ao jornal Açoriano Oriental, Carlos Alberto Moniz afirma que este, para além de ser um espetáculo intimista, será também um concerto especial: “É um espetáculo intimista. Vou estar a falar na primeira pessoa. Obviamente que irei falar também e recordar as pessoas com quem me fui encontrando ao longo da vida, seja em Portugal, seja por esse mundo fora, desde a Ásia, o Canadá e a Europa toda”. Irá cantar, “principalmente, Nemésio, Antero, Natália, Álamo Oliveira, Emanuel Félix, Sophia de Mello Breyner”, por isso “vai ser um concerto especial, até porque foi preparado para a sala do Teatro Micaelense, só com piano de cauda e, com a presença de Gabriel Pinto, um pianista de jazz com quem trabalho há oito ano e a minha voz”.
Carlos Alberto Moniz,
afirma ainda que vai “passar em revista as minhas origens, desde algumas
canções que provavelmente irei ter que lembrar, ou seja, canções que
foram recolhidas pelo meu avô João Moniz em 1920, quando ele andava de
burro pela ilha Terceira a recolher as canções - ele tinha que fazer as
pautas porque o papel era branco e tinha que escrever as cinco linhas”,
recorda bem disposto, para explicar que “é interessante porque dá para
ver algumas das origens das canções açorianas. Há lá uma que costumo
cantar e cantamos muito nos Açores, que é ‘O Sol perguntou à Lua quando
havia amanhecer....’ e tem vários títulos riscados, até que ele a
chamou ‘O Sol’ (…)”.
‘Sou um homem feliz’
Carlos Alberto Moniz está a comemorar 55 anos de vida artística, numa carreira que engloba não só subir aos palcos e cantar, mas também o de compositor, orquestrador, apresentador e outras tantas tarefas, que o fazem ser “um homem feliz”. Afirma que tem “trabalhado muito” e, nesta revisitação, lembra que tudo aconteceu quase como por acaso.
Numa pequena viagem no tempo, Carlos Alberto Moniz refere era para regressado à ilha Terceira “passado uns anos depois de ter vindo para o continente estudar Engenharia Agronómica, só que comecei a conhecer gente da música”. Recorda que tinha 18 anos “quando chegou ao pé de mim um senhor - estava com a viola em cima dos joelhos - e perguntou-me se era açoriano, respondi que sim e disse-me que ‘amanhã temos gravação’. Lá fui para o estúdio e de repente aparece lá o Zeca Afonso e depois fui para Madrid gravar um disco com o Zeca Afonso, a Maria do Amparo também foi”. Entretanto, a “vida foi-se complicando no bom sentido. Comecei a fazer discos, a fazer programas de televisão, rádio, nunca mais parei... a minha vida é cheia de viagens, corri o mundo a tocar e a cantar, sempre com a viola na mão... ”.
Nunca mais parou, mas também nunca
esquece a ilha que o viu nascer e os Açores no seu todo. Por isso,
quando atua no estrangeiro, “começo assim: ‘É a vez primeira que neste
auditório canto, em nome de Deus que começo, Pai, Filho e Espírito
Santo’ e digo que é uma cantiga da minha terra, todos os bailinhos nos
Açores começam por dar boa noite às pessoas e depois, com os dedos
explico que somos nove ilhas, eu nasci nesta, mas a minha alma está
com as nove ilhas’”.
