Capoulas Santos defende medidas urgentes de apoio ao sector do leite

Capoulas Santos defende medidas urgentes de apoio ao sector do leite

 

Lusa/AO Online   Economia   9 de Out de 2009, 19:50

O eurodeputado socialista Capoulas Santos considerou hoje que o sector do leite atravessa "uma situação gravíssima" em Portugal e na Europa e defendeu a implementação de medidas urgentes que evitem "a ruína" desta actividade.

"Eu questiono se com a crise que estamos a viver, se este caminho é um caminho que conduz ao sucesso da agricultura europeia ou se conduz à sua fatal destruição e temos, neste momento, o exemplo eloquente do sector do leite a demonstrá-lo na Europa", afirmou o ex-ministro da agricultura numa intervenção proferida a propósito da 39.ª Assembleia Geral Anual da Confederação Internacional do Crédito Agrícola, em Lisboa.

No entender de Capolas Santos, "o sector do leite atravessa uma crise gravíssima e uma ds razões é a lógica ultra-liberal que a Comissão Europeia induziu nas suas mais recentes reformas dando sinais ao mercado de que poderia produzir ilimitadamente".

"Isso está a fazer com que neste momento, em muitos Estados-membros, e sobretudo nas regiões mais frágeis e nas explorações menos competitivas os preços ao produtor estejam a ser pagos aquém do seu real custo de produção o que, a muito curto termo, num horizonte de muito poucos meses, levará à sua inevitável ruína e à desertificação de espaços na União onde não há alternativas a este tipo de actividade", argumentou.

Na origem do problema que portugal atravessa reside o facto de termos aderido à União em 1986 (antiga Comunidade Económica Europeia/CEE) com "uma agricultura quase medieval que foi obrigada a competir com as maiores potências agrícolas da Europa e do mundo".

"A agricultura em Portugal, na Europa e no mundo atravessam dificuldades que resultam da própria concorrência acrescida e da necessidade que existe para que se estabeleçam regras no comércio mundial e infelizmente não se vislumbra um acordo no seio da OMC", lamentou Capoulas Santos.

Neste âmbito, "é importante que sejam encontradas soluções políticas, por isso é sempre muito difícil a relação do poder politico com a agricultura, apesar de o sector agrícola ser injustamente acusado de ser aquele que mais subsídios e mais ajudas dos cidadãos consome".

Questionado sobre os milhões de euros que Portugal terá perdido em fundos de apoio ao sector agrícola, o ex-ministro da tutela disse tratar-se de um assunto que "tem vindo a ser tratado com alguma demagogia".

"Existem diferentes tipos de apoios: uma parte deles em que o Estado-membro é apenas um intermediário e, por outro lado, apoios que exigem, para além do dinheiro comunitário, uma percentagem de dinheiro nacional para que essas medidas possam ser aplicadas", explicou.

"Aquilo que tenho ouvido como críticas maiores tem sido um certo atraso na aprovação de alguns projectos direccionados para o investimento, mas um balanço final sobre a aplicação dos fundos só pode ser feito depois do final do período de programação", concluiu.


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