Bolieiro teve como “única” preocupação “pedir mais dinheiro” em encontro com PR

O líder do PS/Açores, Francisco César, afirmou que o presidente do Governo Regional, na sua reunião de hoje com o Presidente da República, teve como “única e principal” preocupação “pedir mais dinheiro”.



“Não deixa de ser curioso que na reunião com o Presidente da República a única e principal preocupação foi pedir mais dinheiro: pela situação financeira da região, alteração da Lei de Finanças Regionais para conseguir resolver os seus problemas financeiros e pedir mais fundos comunitários para investir neste momento no que não está a conseguir”, afirmou.

Francisco César reagiu assim às declarações do presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, que garantiu hoje que a região não está em risco de resgate e assegurou que a gestão das finanças públicas é feita com responsabilidade e sob controlo próprio.

“O resgate está fora de questão. Há um esforço e um ‘stress’ sobre as finanças públicas, sem dúvida, mas não creio que estejamos sob uma situação de resgate”, afirmou José Manuel Bolieiro, em declarações aos jornalistas, no final de uma audiência com o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio de Belém, em Lisboa.

Na quinta-feira, em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, o líder do PS/Açores disse que a probabilidade de resgate financeiro aos Açores “é muito elevada”.

Para o dirigente socialista, Bolieiro foi a Belém para “dizer o que precisa e não aquilo que vai fazer para resolver os problemas da região”.

O líder do PS/Açores - que reuniu terça-feira com pequenos empresários que fornecem produtos de higiene às escolas - referiu que “não recebem desde outubro”, sendo que houve empresas que asseguram o transporte escolar que “tiveram de ir para a porta do Palácio de Sant’Ana [sede do Governo] para conseguir que lhes pagassem pelo menos uma fatura”, além de empresários que aguardam por fundos comunitários.

Francisco César recordou que a Lotaçor, empresa pública de gestão das lotas, “pagou salários com bastante atraso”, tendo defendido a necessidade de reestruturação da saúde, da educação, para além de cortar nos “gastos supérfluos” e na dimensão do executivo açoriano.

De acordo com o dirigente, a realidade “esbarra com o cenário pintado de laranja que o presidente do Governo Regional coloca”, uma vez que “há um problema financeiro grave da região” e a solução é “resolver os assuntos e apontar prioridades”.

Na sequência da crise no Médio Oriente, Francisco César disse que gostaria de ver garantido que o Governo Regional “não ganha um tostão à custa da subida dos combustíveis a nível internacional”.

“Ou seja, garanta que não tem um aumento de receita de impostos fruto do aumento dos combustíveis e que se compromete a devolvê-la, na integra, aos açorianos”, frisou.

Francisco César preconizou, por outro lado, que se comecem a desenhar apoios setoriais para as pescas, agricultura e turismo, além de se poder complementar com o orçamento regional as medidas nacionais.

Daí a necessidade de “ter as finanças públicas equilibradas” para enfrentar cenários de crise, uma vez que o Governo Regional “está neste momento de mãos atadas para conseguir resolver estes problemas”, o que “vai provocar, a prazo, uma crise financeira” que vai gerar outra económica com consequências nas empresas e famílias, disse.

O cenário de resgate financeiro já tinha sido afastado na quinta-feira pelo secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, que acusou o líder do PS Açores de tentar “sujar o nome dos Açores” e puxá-lo “para baixo”.

“Cá nos manteremos constantes e firmes contra quem vem de Lisboa anunciar o diabo e contra quem vai a Lisboa anunciar o diabo”, declarou Duarte Freitas durante um debate na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, na ilha do Faial.


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No segundo dia do julgamento das ex-auxiliares de educação acusadas de maus-tratos a crianças da creche da Casa do Povo de Rabo de Peixe, o tribunal ouviu educadoras e outras funcionárias. Juiz considerou que estas também deviam estar sentadas no banco dos réus, ao terem permitido que os maus tratos às crianças se prolongassem no tempo