Bissau acusa Portugal de tentativa de golpe de Estado


 

Lusa/AO online   Nacional   22 de Out de 2012, 09:34

O ministério dos Negócios Estrangeiros recusou hoje fazer qualquer comentário às acusações do governo da Guiné-Bissau de que Portugal terá apoiado uma tentativa de golpe de Estado na sequência do ataque a um quartel daquele país.

As autoridades da Guiné-Bissau afirmaram no domingo ter impedido uma tentativa de golpe de Estado no país, na sequência de um ataque a um quartel do Exército que matou, pelo menos, sete pessoas, avançou a agência de notícias francesa France Presse (AFP).

Na sequência destes acontecimentos, o Governo da Guiné-Bissau acusou Portugal de participar e apoiar uma tentativa de golpe de Estado.

“O Governo considera Portugal, a CPLP [Comunidade de Países de Língua Portuguesa] e Carlos Gomes Júnior [ex-presidente da República, deposto na sequência de um golpe de Estado em abril de 2012] os instigadores desta tentativa de desestabilização”, afirmou o ministro das Comunicações guineense, Fernando Vaz, ao ler um comunicado.

O objetivo era derrubar o Governo de transição, minar o processo político, voltar a colocar Gomes Júnior no poder e justificar uma força de estabilização internacional no país, acrescentava o comunicado.

Testemunhas afirmaram à AFP que o ataque foi comandado pelo capitão Pansau N´Tchama, o chefe de uma unidade de comando que estará alegadamente ligada ao assassinato do presidente João Bernardo Vieira (Nino Vieira), em 2009.

Não ficou claro o que teria levado N´Tchama a desencadear o ataque, mas o capitão era um aliado do Governo deposto pelo golpe de Estado de abril, que interrompeu o processo eleitoral para a Presidência da República, o qual, no final da primeira volta, Carlos Gomes Júnior liderava.

Na madrugada de domingo, cerca das 04:00 locais, um grupo armado atacou um quartel, com os confrontos a durarem cerca de uma hora, tendo os assaltantes sido depois obrigados a fugir.

Forças de segurança guineenses disseram à AFP que N´Tchama tinha regressado na passada semana à Guiné-Bissau, depois de ter estado em Portugal para receber treino militar, situação que se prolonga desde julho de 2009.

Um jornalista da AFP no local viu os cadáveres de seis assaltantes. Um soldado afirmou que um sentinela do quartel terá sido morto pelo próprio N´Tchama, mas apesar de fontes militares terem confirmado o ataque, recusaram confirmar quaisquer baixas entre os soldados do quartel atacado.

Nas horas que se seguiram ao ataque várias viaturas militares patrulharam as ruas da capital, Bissau, mesmo apesar de a situação se ter mantido calma.

Tropas e polícia estiveram também presentes em força no aeroporto e nas estradas que dão acesso à capital.

O Chefe das Forças Armadas guineense, o general António Indjai, visitou as bases militares e o quartel-general do Exército em Bissau.

 

Atualizada às 11h52



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