Política

Bastonário diz que não cabe aos tribunais pronunciarem-se sobre a austeridade

Bastonário diz que não cabe aos tribunais pronunciarem-se sobre a austeridade

 

Lusa/AO online   Nacional   14 de Out de 2012, 14:59

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, defendeu hoje que não cabe aos tribunais pronunciarem-se sobre medidas de austeridade do Governo, dada a sua natureza política, dentro do princípio da separação de poderes.

Marinho Pinto falava aos jornalistas à margem do encerramento de um encontro das delegações da Ordem dos Advogados para debater os "Direitos e Deveres dos Advogados no Século XXI", que decorreu em Aveiro. Mouraz Lopes, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), anunciou que, caso a proposta conhecida do Governo para o Orçamento do Estado de 2013 seja aprovada, vai pedir a fiscalização da sua constitucionalidade" porque "ataca de modo feroz" os portugueses, violando "o princípio da confiança dos portugueses no sistema fiscal". Instado a comentar essa posição, o bastonário da Ordem dos Advogados afirmou que "a questão da constitucionalidade é uma questão jurídica e o Orçamento e as medidas de austeridade que o Governo tem vindo a tomar" são políticas. "São medidas muito duras, mas penso que não violam a Constituição", disse, afirmando compreender que os magistrados "queiram levar isso para as instâncias onde são eles que decidem". Isto "desvirtua e desprestigia a Justiça, por muita popularidade" que lhe possa dar certas decisões, observou. "É uma forma de serem os tribunais a ter a última palavra sobre matérias políticas. Os poderes são diferentes e há divisão e separação de poderes. Vivemos num País onde por tudo e por nada se põe uma providência cautelar nos tribunais para contestar decisões políticas e isso degrada a Justiça e os tribunais", criticou. Para o bastonário da Ordem dos Advogados, o que está em causa nas medidas de austeridade "é uma questão de imoralidade que ofende os valores da República" e se deve continuar a exercer funções políticas "quem declaradamente mentiu e cumpre um programa oposto aquele com que se apresentou" ao eleitorado. "É uma questão de dignificarmos a política e exigirmos verdade e honestidade dos políticos. Eu convido os portugueses a reverem o debate entre Pedro Passos Coelho e José Sócrates para avaliarem os políticos portugueses", declarou. "As questões jurídicas têm outras razões e outro tipo de ponderações que não essas", reafirmou. Salvaguardada a natureza política da questão, Marinho Pinto não deixou de classificar o que o Governo está a fazer como "um crime de lesa pátria" por incrementar sacrifícios às famílias em vez de os procurar aliviar, devido a razões ideológicas que "omitiu" na campanha eleitoral. "Se uma pessoa pode pagar uma dívida em dez anos porque é que vai pagar em um? É muito mais sacrifício. Porquê esta pressa? Porque é que este Governo vai além da 'troika'? Devia estar a reclamar mais prazo para pagar as dívidas, em vez de estar a concentrar o pagamento com sacrifícios insuportáveis para as famílias portuguesas e nem imagina a revolta que está instalada individualmente. Percebe-se agora a violência de algumas revoluções de que a História nos dá exemplo: é por medidas destas que humilham o povo e o sacrificam para além dos limites, sem sentido", disse.


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