Associação XXS defende alargamento da licença de maternidade

Associação XXS defende alargamento da licença de maternidade

 

Lusa/AO Online   Nacional   17 de Nov de 2011, 06:12

A licença de maternidade das mães de bebés prematuros deveria corresponder ao período de internamento da criança, defendeu hoje a associação XXS, dia em que se assinala o Dia Internacional de Sensibilização para a Prematuridade.

Em entrevista à agência Lusa, Paula Guerra, uma das fundadoras da XXS – Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro, lembrou que os bebés prematuros ficam menos tempo internados e “custam menos dinheiro ao Estado” quando têm acompanhamento permanente das mães.

“Defendemos há anos que o período de licença de maternidade no caso dos bebés prematuros deve ser alargado. Atualmente o tempo de licença é o mesmo. Por vezes as mães dos prematuros interrompem a licença e colocam baixa de assistência à família [30 dias por ano] mas não chega”, salientou.

De acordo com Paula Guerra, muitas mães vão trabalhar mais cedo porque não querem ver os seus ordenados reduzidos e isso prejudica, por vezes, a evolução favorável do bebé.

“Estudos efetuados na Suécia apontam para um menor tempo de internamento devido ao contacto permanente com a mãe. No caso da Suécia, as mães permanecem internadas até o bebé ter alta”, disse.

Paula Guerra considera que além desta aproximação dos pais ao bebé e dos apoios sociais e financeiros, ”há também muito trabalho a fazer em parceria com os profissionais de saúde no sentido de informar as futuras mães para os cuidados que devem ter com o acompanhamento da gestação e também alertar as empresas para a necessidade de as gestantes terem uma gravidez tranquila e seguirem as rotinas médicas”.

Apesar disso, Paula Guerra reconhece que Portugal tem das melhores práticas em termos de prestação de cuidados clínicos a estes bebés.

A responsável lembrou que um relatório elaborado pela Fundação Europeia para os Cuidados de Recém-Nascidos apresentado no ano passado no Parlamento Europeu indicava que entre os países analisados, apenas Portugal e o Reino Unido têm uma estratégia política nacional com medidas específicas para a saúde neonatal e para as crianças prematuras.

Paula Guerra chamou a atenção para o facto de esse “excelente trabalho” poder vir a ser afetado pelos cortes orçamentais na saúde e para um possível encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC).

Para assinalar o Dia Internacional de Sensibilização para a Prematuridade, a associação XXS organizou algumas atividades e sessões de esclarecimento e trocas de experiências em conjunto com os serviços de neonatologia da MAC, em Lisboa, do Hospital de S. João, no Porto e do Hospital de Braga, com pais de bebés internados e ex-bebés prematuros.

Um em cada dez bebés nasce prematuro na Europa, uma taxa que segundo a diretora do Serviço de Neonatologia da MAC, Teresa Tomé, tem vindo a subir nos últimos anos nos países industrializados.

“Em Portugal, a taxa de pré-termo é de cerca de nove por cento e tem vindo a aumentar nos últimos anos”, adiantou à Lusa Teresa Tomé, acrescentando que entre as causas para o aumento dos bebés prematuros podem estar o stress, gravidez antes dos 18 ou depois dos 35 anos, falta de acompanhamento adequado da gestação, uma maior patologia na gravidez e na gravidez múltipla por procriação medicamente assistida.


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