Aviação

Antigos dirigentes desvinculam-se do sindicato

 Antigos dirigentes desvinculam-se do sindicato

 

Lusa/AO Online   Economia   11 de Out de 2009, 09:22

 Mais de uma dezena de antigos dirigentes do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) desvincularam-se da estrutura, em desacordo com as estratégias seguidas pela actual direcção, admitindo mesmo que uma "percentagem significativa" não alinharia numa futura greve.

Em causa estão duas grandes razões: a estratégia de negociação com a TAP - com a exigência de um aumento salarial de 9,3 por cento e admitindo o recurso à greve - e a contratação de Paulo Rodrigues para consultor estratégico da direcção do SPAC.

Vários antigos dirigentes e outros pilotos contactados pela Lusa realçaram que esta não é altura para pedir estes aumentos salariais, por muita razão que possa assistir aos pilotos.

Além dos vários antigos dirigentes do sindicato dos pilotos que se desvincularam desta estrutura (uma pequena percentagem face aos cerca de 2.000 associados do SPAC), vários comandantes referiram à Lusa que outros "históricos" são contrários à linha actual do sindicato, apesar de se manterem associados.

"Há uma fatia significativa [de pilotos] descontente com a actual direcção", disse à Lusa um antigo dirigente do SPAC, acrescentando que "a cisão" pode tornar-se mais visível caso o sindicato avance para uma nova greve.

"Se agora fosse marcada uma nova greve, muitos pilotos que aderiram à anterior não o fariam", afirmou.

A última greve marcada pelos pilotos - a 24 e 25 de Setembro - levou ao cancelamento de mais de 50 voos, com um impacto que a empresa estimou em cerca de 10 milhões de euros.

Esta semana o diferendo entre a administração e os sindicatos teve desenvolvimentos, com as duas partes a acordarem voltarem a sentar-se à mesa. A próxima reunião deverá acontecer na próxima semana. As conversações estavam interrompidas desde há três meses.

Questionada pela Lusa sobre em que medida esta cisão entre os pilotos pode afectar as negociações entretanto retomadas, fonte oficial da TAP escusou-se a fazer qualquer comentário.

Outra polémica a dividir os pilotos é a contratação por parte da actual direcção do SPAC dos serviços de consultoria do também piloto Paulo Rodrigues, que alegadamente envolve o pagamento de mais de meio milhão de euros.

Alguns dos pilotos não concordam que este serviço seja pago, outros dizem que o valor é demasiado elevado, outros invocam questões éticas. Há ainda quem refira todas estas em conjunto.

Contactado pela Lusa para comentar as desvinculações, o SPAC desvalorizou a situação, afirmando que "o número de associados tem vindo a aumentar com a actual direcção".

Por outro lado, o sindicato afirma que "tem resolvido e continuará a resolver os problemas dos pilotos".


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